{"id":3355,"date":"2025-04-28T11:32:37","date_gmt":"2025-04-28T10:32:37","guid":{"rendered":"https:\/\/parquediscovery.pt\/de\/?p=3355"},"modified":"2025-09-22T22:20:55","modified_gmt":"2025-09-22T21:20:55","slug":"vellela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/vellela","title":{"rendered":"O Verdadeiro Veleiro"},"content":{"rendered":"\n<p><em><em><em>Ribeira d\u2019Ilhas, 2020<\/em> \u2013 Em muitas praias de areia, trope\u00e7a-se numa faixa mais ou menos larga de algas, sarga\u00e7o, ervas marinhas, peda\u00e7os de madeira, pedra-pomes, fragmentos de conchas, ovos, restos de criaturas marinhas e aves marinhas \u2013 e, infelizmente, bastante lixo. Esta &#8220;linha de mar\u00e9&#8221; \u00e9 um verdadeiro tesouro para os colecionadores de praia. Especialmente ap\u00f3s tempestades, podemos encontrar aqui todo o tipo de coisas incomuns que o mar agitado lan\u00e7ou do fundo \u00e0 superf\u00edcie e trouxe at\u00e9 \u00e0 costa. N\u00e3o h\u00e1 muito tempo, por exemplo, a praia estava coberta com pequenos peda\u00e7os redondos de folha com uma superf\u00edcie estriada estranha \u2013 lembrando os selos de tampas de molhos de churrasco. \u00c0s vezes, essas acumula\u00e7\u00f5es ocorrem quando uma carga inteira de objetos flutuantes cai ao mar, ou quando o material flutuante \u00e9 ordenado hidrodinamicamente devido \u00e0 sua resist\u00eancia. Esta \u00faltima hip\u00f3tese parecia promissora \u2013 mas, neste caso, n\u00e3o se tratava de lixo pl\u00e1stico&#8230;<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"362\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/liftnpeel-image.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3409\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/liftnpeel-image.jpg 800w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/liftnpeel-image-300x136.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/liftnpeel-image-768x348.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/liftnpeel-image-600x272.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A folha &#8220;Lift n&#8217; Peel\u2122&#8221;, usada frequentemente para selar alimentos, produtos qu\u00edmicos ou medicamentos, tem uma semelhan\u00e7a surpreendente em forma e textura com a <em>Velella<\/em>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8230; s\u00f3 percebi isso quando encontrei n\u00e3o apenas um &#8220;esqueleto&#8221; transl\u00facido, mas tamb\u00e9m uma pequena medusa colorida de forma id\u00eantica na minha m\u00e3o \u2013 que identifiquei com a ajuda do Google Lens como <em>Velella velella<\/em>. Tenho de admitir que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conhecia esta criatura de todo. E, no entanto, tanto em alem\u00e3o como em ingl\u00eas, existem v\u00e1rios nomes comuns para ela: &#8220;veleiro ao sabor do vento&#8221;, &#8220;barquinho de S\u00e3o Pedro&#8221;, &#8220;medusa azul&#8221;, &#8220;by-the-wind sailor&#8221;, &#8220;sea raft&#8221;, &#8220;purple sail&#8221;&#8230; O que sugere que se trata de uma esp\u00e9cie bem conhecida. Contudo, este veleiro, cujo nome latino <em>Velella<\/em> significa simplesmente &#8220;velinha&#8221;, \u00e9 um organismo verdadeiramente extraordin\u00e1rio. Tal como a maioria das medusas, \u00e9 constitu\u00eddo por uma col\u00f3nia de c\u00e9lulas especializadas (p\u00f3lipos) com tarefas distintas, mas sem qualquer centro de comando.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3399\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas.jpg 1280w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas-300x169.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas-768x432.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segelquallen-in-Ribeira-dIlhas-600x338.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Ele vive entre o oceano e a atmosfera, alimentando-se de pequenos organismos planct\u00f3nicos, que captura com as c\u00e9lulas urticantes dos seus tent\u00e1culos. A presa \u00e9 absorvida pelas bocas dos p\u00f3lipos defensivos internos, ou por um grande p\u00f3lipo alimentar (sipho) no centro da parte inferior. Felizmente, os seus dardos microsc\u00f3picos n\u00e3o conseguem atravessar a pele humana, por isso podemos toc\u00e1-lo sem problemas. A maioria das <em>Velella<\/em> flutua em \u00e1guas tropicais, exposta diretamente \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar. Para proteger o ADN contra os raios UV, os n\u00facleos celulares est\u00e3o rodeados por pigmentos que absorvem a luz, conferindo-lhes uma cor azul profunda e deslumbrante. A parte inferior, por outro lado, \u00e9 muito clara, tornando-as quase invis\u00edveis para predadores vindos das profundezas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda mais desafiante que a radia\u00e7\u00e3o solar, s\u00e3o as for\u00e7as cortantes do vento e das ondas, que sacodem este organismo t\u00e3o delicado. Por isso, as c\u00e2maras de ar da sua parte flutuante circular, organizadas em an\u00e9is conc\u00eantricos, e a pequena vela triangular s\u00e3o refor\u00e7adas com tubos de quitina extremamente resistentes. A estrutura \u00e9 t\u00e3o engenhosa, que j\u00e1 inspirou engenheiros.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/janthina-7ec2aa57-be0c-44bb-92e7-c51b1e24ea0-resize-750-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"482\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/janthina-7ec2aa57-be0c-44bb-92e7-c51b1e24ea0-resize-750-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3359\" style=\"width:351px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/janthina-7ec2aa57-be0c-44bb-92e7-c51b1e24ea0-resize-750-2.jpeg 550w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/janthina-7ec2aa57-be0c-44bb-92e7-c51b1e24ea0-resize-750-2-300x263.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como se viver entre os elementos j\u00e1 n\u00e3o fosse desafio suficiente, a <em>Velella<\/em> tamb\u00e9m tem um inimigo persistente: o caracol-violeta (<em>Janthina janthina<\/em>), tamb\u00e9m ele um navegador nato. A sua parte flutuante e a vela s\u00e3o feitas de bolhas resistentes que ele cria ao prender o ar numa secre\u00e7\u00e3o corporal viscosa. De cabe\u00e7a para baixo, suspenso sob esta jangada de espuma, ele deixa-se levar pelas correntes. Como vive de forma invertida, a sua colora\u00e7\u00e3o contra-sombreamento tamb\u00e9m \u00e9 invertida: branca por cima, azul por baixo \u2013 com o mesmo efeito de camuflagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando encontra uma <em>Velella<\/em>, o caracol abandona a sua jangada e segue viagem &#8220;\u00e0 boleia&#8221;. Muitas vezes, v\u00e1rios carac\u00f3is-violeta pendem sob a medusa e alimentam-se da sua subst\u00e2ncia. Enquanto n\u00e3o exagerarem no apetite e o veleiro tiver sorte na pesca, este consegue regenerar-se, mantendo o equil\u00edbrio da comunidade flutuante. Mas, se os carac\u00f3is forem demasiado gulosos e danificarem a parte flutuante, a flutuabilidade colapsa. Ent\u00e3o, todos afundam e morrem, pois os carac\u00f3is n\u00e3o conseguem formar novas bolhas sem o contacto com a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3373\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-300x225.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-768x576.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Veilchenschnecke-an-Velella-600x450.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O caracol-violeta (<em>Janthina janthina<\/em>) alimenta-se da <em>Velella<\/em> enquanto \u00e9 transportado por ela. A sua colora\u00e7\u00e3o contra-sombreada \u00e9 claramente vis\u00edvel.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de lhe terem atribu\u00eddo 32 nomes cient\u00edficos diferentes ao longo da hist\u00f3ria, os cientistas est\u00e3o hoje certos de que existe apenas uma esp\u00e9cie \u2013 e que <em>Velella velella<\/em> \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie conhecida do g\u00e9nero <em>Velella<\/em>. Isto \u00e9 bastante raro na biologia. Estamos, portanto, perante um organismo verdadeiramente \u00fanico, que acabou por recuperar o seu nome original, dado pelo pr\u00f3prio Lineu (1758).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3586\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english.jpg 1280w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english-300x169.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english-768x432.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Anatomie-der-Segelqualle-english-600x338.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Por v\u00e1rias raz\u00f5es, os bi\u00f3logos decidiram n\u00e3o considerar as medusas como indiv\u00edduos, mas sim como &#8220;col\u00f3nias com divis\u00e3o de trabalho&#8221; (como uma col\u00f3nia de formigas). Mas, ao observar o que se passa sob a pequena vela, com todas as partes ligadas por canais e grupos de p\u00f3lipos especializados que funcionam como &#8220;\u00f3rg\u00e3os&#8221;, \u00e9 leg\u00edtimo questionar essa defini\u00e7\u00e3o. Afinal, a <em>Velella<\/em> realiza a\u00e7\u00f5es coordenadas: duas vezes por minuto, toda a parte inferior contrai-se, expelindo o ar das c\u00e2maras em anel por poros, e depois relaxa para aspirar ar fresco. A maioria dos seres chamaria a isso de &#8220;respirar&#8221; \u2013 embora as medusas tecnicamente n\u00e3o respirem. O que realmente corresponde \u00e0 ideia de col\u00f3nia s\u00e3o os &#8220;trabalhadores convidados&#8221; a bordo. Na parte superior, vivem os dinoflagelados \u2013 algas unicelulares que prosperam na luz. Quando a pesca \u00e9 escassa, servem de reserva alimentar e s\u00e3o digeridos. Nas c\u00e9lulas sexuais na parte inferior, vivem bact\u00e9rias simbi\u00f3ticas, que lhes conferem um tom amarelo-esverdeado. S\u00e3o passadas aos descendentes como &#8220;provis\u00f5es&#8221; para a viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o da <em>Velella<\/em> \u00e9 tudo menos rom\u00e2ntica. Os p\u00f3lipos sexuais especializados libertam alternadamente &#8220;medusas&#8221; masculinas e femininas. Cada uma carrega metade do c\u00f3digo gen\u00e9tico de uma nova col\u00f3nia. Elas t\u00eam de se fundir, para formar uma larva completa. Antes disso, retiram-se para uma profundidade de 1.000 metros, onde a escurid\u00e3o e o frio proporcionam uma maior seguran\u00e7a. Uma vez digeridas as bact\u00e9rias e algas transportadas, pouco alimento resta. Mas o regresso \u00e0 perigosa superf\u00edcie \u00e9 feito por um mecanismo fascinante: ap\u00f3s a fus\u00e3o, a larva torna-se flutuante gra\u00e7as a uma gota de \u00f3leo que se forma no seu interior. Isso torna-a leve o suficiente para flutuar suavemente de volta \u00e0 luz e formar uma nova col\u00f3nia. Com boas condi\u00e7\u00f5es alimentares, as <em>Velella<\/em> podem reproduzir-se de forma explosiva. Em aqu\u00e1rios, as medusas libertadas formam nuvens densas que cobrem o fundo em pouco tempo. No Atl\u00e2ntico, j\u00e1 foram observados cardumes com at\u00e9 260 quil\u00f3metros de extens\u00e3o \u2013 vela com vela!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3385\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel.jpg 1280w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel-300x169.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel-768x432.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Segel-an-Segel-600x338.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Acontecem frequentemente arrojamentos em massa, que formam tapetes azulados ao longo de quil\u00f3metros de costa, e, por vezes, at\u00e9 muros de dois metros de altura com milh\u00f5es de animais mortos. Quando este fen\u00f3meno foi estudado mais profundamente, descobriu-se que existem duas formas diferentes de vela. Ambas parecem ocorrer numa propor\u00e7\u00e3o de 50:50 na natureza, mas os arrojamentos cont\u00eam sempre apenas um dos tipos. A forma da vela determina a deriva: as que t\u00eam a vela inclinada para a direita, s\u00e3o empurradas nessa dire\u00e7\u00e3o, enquanto que as que t\u00eam a vela invertida, s\u00e3o levadas para a esquerda. Assim, jamais toda a popula\u00e7\u00e3o encalha de uma s\u00f3 vez \u2013 uma parte ser\u00e1 sempre desviada para o mar. Genial, n\u00e3o acha? Isso lembra-me os versos inspiradores de Ella Wheeler Wilcox:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p style=\"line-height:1\"><em>One ship drives east and another drives west, with the selfsame winds that blow.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em>Tis the set of the sails and not the gales, that tells it the way to go.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em>Like the winds of the seas are the ways of fate, as we voyage along through the life.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em>Tis the set of a soul, that decides its goal, and not the calm or the strife.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o livre:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p style=\"line-height:1\"><em><em>Um barco vai para o leste, outro para o oeste, com os mesmos ventos a soprar<\/em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em><em>\u00c9 a posi\u00e7\u00e3o das velas, e n\u00e3o a tempestade, que indica por onde navegar<\/em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em><em>Como os ventos do mar, \u00e9 o destino a soprar, guiando a viagem da vida sem cessar<\/em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"line-height:1\"><em><em>\u00c9 a disposi\u00e7\u00e3o da alma que aponta a dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o conflito ou a calmaria, n\u00e3o<\/em>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A <em>Velella<\/em> nasce com uma orienta\u00e7\u00e3o de vela fixa e depois descobre se o vento a levar\u00e1 \u00e0 praia mortal ou de volta ao mar seguro. N\u00f3s, no entanto, podemos <em>escolher<\/em> como ajustar as nossas velas \u2013 e se queremos navegar rumo ao c\u00e9u. Um exemplo encorajador da B\u00edblia \u00e9 o do jovem Daniel, que &#8220;decidiu no seu cora\u00e7\u00e3o&#8221; manter-se puro (Dn 1:8), navegando firme por um dos s\u00e9culos mais turbulentos da hist\u00f3ria. As circunst\u00e2ncias da vida n\u00e3o podem impedir a nossa jornada \u2013 apenas influenciar quanto tempo demoramos a chegar ao destino. Nesse esp\u00edrito: bom vento e mar tranquilo!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><strong><strong>Prov\u00e9rbios 4:23:<\/strong> <em>Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu cora\u00e7\u00e3o, porque dele procedem as sa\u00eddas da vida.<\/em><\/strong><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column has-small-font-size is-layout-flow wp-container-core-column-is-layout-6b73ce23 wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Betti, F: <em>Massive strandings of Velella velella (Hydrozoa: Anthoathecata: Porpitidae) in the Ligurian Sea<\/em>. The European Zoological Journal 2019; 86(1):343-353<\/p>\n\n\n\n<p>Bieri, R: <em>A Morphometric Study of Velella (Hydrozoa) from different Oceans<\/em>. Publications of the SETO Marine Biological Laboratory 1977; 24(1-3):59-62<\/p>\n\n\n\n<p>Bieri, R: <em>Dimorphism and Size Distribution in Velella and Physalia<\/em>. Nature 1959; 184:1333-1334<\/p>\n\n\n\n<p>Francis, L: <em>Design of a Small Cantilevered Sheet: The Sail of Velella velella<\/em>. Pacific Science 1985; 39(1):1-15<\/p>\n\n\n\n<p>Francis, L: <em>Sailing Downwind: Aerodynamic Performance of the Velella Sail<\/em>. Journal of Experimental Biology 1991; 158:117-132 Schembri, PJ: <em>When the Beaches Turn Blue<\/em>. Gozo Observer 2016; 34:3-5<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ribeira d\u2019Ilhas, 2020 \u2013 Em muitas praias de areia, trope\u00e7a-se numa faixa mais ou menos larga de algas, sarga\u00e7o, ervas marinhas, peda\u00e7os de madeira, pedra-pomes,[\u2026]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3356,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"remove_blocks_before_content":false,"remove_blocks_after_content":false,"disable_reading_progress_bar":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[64,9],"tags":[],"class_list":["post-3355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-wonders-of-creation","category-prehistory"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3355"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5182,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3355\/revisions\/5182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}