{"id":3623,"date":"2025-04-01T20:30:02","date_gmt":"2025-04-01T19:30:02","guid":{"rendered":"https:\/\/parquediscovery.pt\/de\/?p=3623"},"modified":"2025-10-24T10:37:05","modified_gmt":"2025-10-24T09:37:05","slug":"lion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/lion","title":{"rendered":"os le\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">\u00c9 dito sobre o <em>Panthera leo<\/em>: \u00bbo le\u00e3o, o mais forte entre os animais, que por ningu\u00e9m torna atr\u00e1s\u00ab (Pv 30:30).<\/p>\n\n\n\n<p>O tem\u00edvel grande felino outrora habitava vastas regi\u00f5es do Norte de \u00c1frica, Sudeste da Europa, Levante e todo o M\u00e9dio Oriente at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia \u2013 e registos f\u00f3sseis indicam at\u00e9 a sua presen\u00e7a nas Am\u00e9ricas. Contudo, devido \u00e0 ca\u00e7a intensiva, muitas popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es no Imp\u00e9rio Romano j\u00e1 estavam extintas no final da Antiguidade. Em Israel, os le\u00f5es sobreviveram at\u00e9 \u00e0 Idade M\u00e9dia, e no Norte de \u00c1frica at\u00e9 ao s\u00e9culo XX. Atualmente, os le\u00f5es selvagens s\u00f3 s\u00e3o encontrados a sul do Saara.<\/p>\n\n\n\n<p>O le\u00e3o \u00e9 mencionado em 125 vers\u00edculos da B\u00edblia. Embora o t\u00edtulo de \u00abRei sobre todos\u00ab seja reservado ao Leviat\u00e3 (J\u00f3 41:34), que joga noutra liga, o le\u00e3o continua a ser o s\u00edmbolo mais frequentemente usado para representar majestade, poder e for\u00e7a. A sua import\u00e2ncia \u00e9 evidenciada pelos muitos nomes hebraicos diferentes utilizados para o descrever.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_7257.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_7257.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3627\" style=\"width:337px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_7257.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_7257-225x300.jpg 225w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_7257-600x800.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O mais comum \u00e9 o hebraico <em>ari<\/em> e o aramaico <em>arie<\/em> (usado cerca de 80 vezes), referindo-se tanto ao le\u00e3o macho quanto \u00e0 esp\u00e9cie em geral. Derivado do verbo <em>ara<\/em> \u2013 \u00abdilacerar\u00bb, esta raiz tamb\u00e9m aparece em termos como \u00abcora\u00e7\u00e3o de le\u00e3o\u201d (2Sm 17:10), \u00abrosto de le\u00f5es\u00bb (1Cr 12:8), \u00abdentes de le\u00e3o\u00bb (Jl 1:6) e \u00abcova dos le\u00f5es\u00bb (Dn 6:7.12.16.19.24). A forma <em>Ariel<\/em> \u2013 \u00abLe\u00e3o de Deus\u00bb \u2013 \u00e9 usada para guerreiros famosos (2Sm 23:20; 1Cr 11:22) e para a cidade her\u00f3ica de Jerusal\u00e9m (Is 29:1-2,7). Alguns homens foram nomeados Ari ou Arieh (2Rs 15:25) e Ariel (Ed 8:16) \u2013 ainda nomes pr\u00f3prios populares hoje (para rapazes e raparigas). Outros nomes relacionados com le\u00f5es incluem Aridata \u2013 \u00abforte como um le\u00e3o\u00bb (Est 9:8), Arioque \u2013 \u00absemelhante a um le\u00e3o\u201d (Gn 14:1,9; Dn 2:14-25), e Arisai \u2013 \u00abestandarte de le\u00e3o\u00bb (Est 9:9).<br><\/p>\n\n\n\n<p>A leoa \u00e9 chamada <em>labi<\/em> (14 vezes), de forma incomum no g\u00e9nero masculino, o que pode sugerir a sua natureza igualmente her\u00f3ica. Geralmente \u00e9 mencionada ao lado do macho. A forma plural aparece no nome do lugar <em>Beth-Lebaot<\/em> (Js 15:32; 19:6) \u2013 \u00abCasa das Leoas\u00bb. Pergunto-me se gostaria de l\u00e1 viver?<\/p>\n\n\n\n<p>Possivelmente, at\u00e9 o grego <em>leon<\/em>, usado no Novo Testamento (9 vezes), deriva das mesmas ra\u00edzes sem\u00edticas. A popularidade de nomes como Leo, Leon, Leonie, Leola, Leonardo, Leonida e Lionel confirma a tend\u00eancia cont\u00ednua de nomes inspirados em le\u00f5es. Os le\u00f5es adolescentes s\u00e3o chamados de <em>kefir<\/em> (31 vezes), enquanto que a sua forma feminina aparece apenas como nome do lugar <em>Kephira<\/em> (Js 9:17; 18:26; Ed 2:25; Ne 7:29) \u2013 \u00ableoa jovem\u00bb. As crias de le\u00e3o s\u00e3o <em>gur<\/em> ou <em>gor<\/em> (7 vezes). O le\u00e3o her\u00f3ico tamb\u00e9m \u00e9 descrito poeticamente como <em>lajisch<\/em> (J\u00f3 4:11; Pv 30:30; Is 30:6), derivado do verbo <em>lusch<\/em> \u2013 \u00abamassar, oprimir\u00bb. H\u00e1 ainda express\u00f5es figurativas que incluem <em>schachal<\/em> \u2013 \u00abrugidor\u00bb (7 vezes), <em>okel<\/em> \u2013 \u00abdevorador\u00bb e <em>az<\/em> \u2013 \u00abforte\u00bb (Jz 14:14).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abE que coisa h\u00e1 mais forte do que o le\u00e3o?\u00bb (Jz 14:18) \u2013 Os convidados do casamento de Sans\u00e3o, na Timna filist\u00e9ia, consideraram a resposta \u00f3bvia ao seu enigma. Os le\u00f5es simbolizam poder violento e explosivo, como mostrado na compara\u00e7\u00e3o: \u00abSaul e J\u00f3natas&#8230; eram mais fortes do que le\u00f5es\u00bb (2Sm 1:23).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora todos os grandes animais sejam \u00abfortes\u00bb, s\u00f3 recentemente \u00e9 que os m\u00e9todos cient\u00edficos confirmaram que os le\u00f5es e outros grandes felinos possuem fibras musculares especializadas (tipo II-x), fisiologicamente diferentes de outras esp\u00e9cies e extremamente eficientes. Os le\u00f5es (juntamente com os tigres) encontram-se classificados no topo entre os predadores em termos de produ\u00e7\u00e3o de energia.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1409\" height=\"936\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3658\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions.jpg 1409w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions-300x199.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions-768x510.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Lions-600x399.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1409px) 100vw, 1409px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Como superpredadores, os le\u00f5es dominam as cadeias alimentares da savana. Preferem presas que os superam em peso \u2013 \u00e0s vezes mais do que o dobro do seu peso \u2013 e conseguem abat\u00ea-las. Comparados com as zebras, que s\u00e3o maiores, mais r\u00e1pidas e mais resistentes, os le\u00f5es t\u00eam mais 20% de produ\u00e7\u00e3o muscular, 37% melhor acelera\u00e7\u00e3o e 72% maior poder de travagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1118\" height=\"807\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5163\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position.jpg 1118w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position-300x217.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position-1024x739.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position-768x554.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pole-position-600x433.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1118px) 100vw, 1118px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na ca\u00e7a de emboscada, o fator surpresa \u00e9 crucial. Milissegundos determinam o sucesso do ataque.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tudo isto seria in\u00fatil para o le\u00e3o, se a zebra simplesmente pudesse fugir. Por isso, ao ca\u00e7ar sozinho, os primeiros segundos s\u00e3o cruciais. Agachado rente ao ch\u00e3o e usando toda a cobertura dispon\u00edvel, o le\u00e3o tenta aproximar-se o m\u00e1ximo poss\u00edvel da sua presa sem ser detetado. Esta t\u00e1tica de emboscada \u00e9 vividamente descrita na B\u00edblia: \u00abEle se agacha e se deita como le\u00e3o\u00bb (Gn 49:9; Nm 24:9); \u00abArma ciladas em esconderijos, como o le\u00e3o no seu covil; arma ciladas para roubar o pobre; rouba-o colhendo-o na sua rede\u00bb (Salmo 10:9); Portanto, \u00abserei, pois, para eles como le\u00e3o; como leopardo, espiarei no caminho\u00bb (Os 13:7); \u00abPorventura, ca\u00e7ar\u00e1s tu presa para a leoa ou satisfar\u00e1s a fome dos filhos dos le\u00f5es,&nbsp;quando se agacham nos covis e est\u00e3o \u00e0 espreita nas covas?\u00bb (J\u00f3 38:39-40).<\/p>\n\n\n\n<p>O verdadeiro destaque \u00e9 o r\u00e1pido come\u00e7o: \u00abcomo um jovem le\u00e3o saltando dos matagais de Bas\u00e3\u00bb (Dt 33:22). O le\u00e3o inicia a ca\u00e7a com um salto poderoso \u2013 at\u00e9 sete metros de comprimento \u2013 propulsionando-se do seu esconderijo a 85 quil\u00f3metros por hora. Este impulso transita para um sprint enquanto avan\u00e7a para a manada a 60 quil\u00f3metros por hora. As zebras reagem quase instantaneamente e dispersam-se, mas n\u00e3o conseguem igualar a acelera\u00e7\u00e3o inicial do le\u00e3o, permitindo-lhe fechar rapidamente a dist\u00e2ncia. No entanto, se o terreno lhes permitir atingir a velocidade m\u00e1xima sem desvios, rapidamente ultrapassam o le\u00e3o, raz\u00e3o pela qual este apanha principalmente animais velhos ou doentes.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Nos document\u00e1rios sobre a vida selvagem, os le\u00f5es s\u00e3o geralmente mostrados a ca\u00e7ar animais ungulados. Zebras, gnus, b\u00fafalos-africanos, ant\u00edlopes, gazelas e javalis s\u00e3o frequentemente as suas presas favoritas, partilhando o mesmo habitat. Depois de uma ca\u00e7a, os chacais e os abutres \u00e0s vezes tentam roubar os restos \u2013 mas \u00e9 mais sensato esperarem at\u00e9 que os le\u00f5es estejam saciados, para que eles pr\u00f3prios n\u00e3o se tornarem na sobremesa. O mesmo se aplica \u00e0s hienas, que podem desafiar os le\u00f5es em matilhas.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1506\" height=\"866\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5165\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test.jpg 1506w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test-300x173.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test-1024x589.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test-768x442.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-cow-test-600x345.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1506px) 100vw, 1506px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Com coragem, o rei da savana enfrenta um poderoso b\u00fafalo-africano (<em>Syncerus caffer<\/em>), que frequentemente pesa mais do dobro. Cada ataque deste g\u00e9nero implica um risco elevado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os le\u00f5es interpretam o seu papel como carn\u00edvoros de forma bastante generosa: podem ser vistos a pescar em lagoas rasas e n\u00e3o rejeitam os insetos rastejantes. S\u00e3o altamente intolerantes aos concorrentes alimentares. Leopardos, chitas e c\u00e3es selvagens s\u00e3o aconselhados a evitar completamente os bandos de le\u00f5es. P\u00e1ssaros, coelhos, ratos e outros roedores n\u00e3o merecem a persegui\u00e7\u00e3o \u2013 a menos que a oportunidade seja favor\u00e1vel. Apenas os le\u00f5es muito inexperientes \u00e9 que se metem com os porcos-espinhos \u2013 geralmente, para seu arrependimento.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3628\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800-300x225.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800-768x576.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/bD300_6800-600x450.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Com uma altura ao ombro superior a tr\u00eas metros e um peso de cerca de 1,5 toneladas, este macho de girafa era um advers\u00e1rio s\u00e9rio. Mas o bando conseguiu domin\u00e1-lo e esvazi\u00e1-lo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como os le\u00f5es s\u00e3o altamente adapt\u00e1veis no seu comportamento de ca\u00e7a, \u00e9 dif\u00edcil descrever um esquema de ca\u00e7a padr\u00e3o. Ca\u00e7am principalmente \u00e0 noite, mas se o terreno oferecer cobertura suficiente, ou se a sua presa estiver ativa durante o dia, os le\u00f5es ajustam-se \u00e0s circunst\u00e2ncias. Embora os animais ungulados sejam a sua dieta base, alguns bandos especializam-se na ca\u00e7a de avestruzes, girafas, hipop\u00f3tamos, crocodilos, elefantes e rinocerontes (embora destes dois \u00faltimos s\u00f3 consigam dominar os juvenis). Ao longo da costa atl\u00e2ntica da Nam\u00edbia, os le\u00f5es foram at\u00e9 observados a emboscar focas de lobo-marinho-sul-africano.<\/p>\n\n\n\n<p><br>As suas t\u00e1ticas de ca\u00e7a tamb\u00e9m variam: em terrenos mais densos com mais presas, os le\u00f5es tendem a ca\u00e7ar sozinhos. Em espa\u00e7os abertos, geralmente ca\u00e7am em grupo. Quando a comida \u00e9 escassa, at\u00e9 os machos participam, embora normalmente n\u00e3o participem nas ca\u00e7adas em grupo. Durante estas ca\u00e7adas coordenadas, os bandos exibem um trabalho de equipa impressionante: os condutores cercam e direcionam a manada, enquanto que os que fazem a emboscada esperam em pontos-chave, escolhendo rapidamente e isolando um alvo. As presas maiores como as zebras, os gnus e os b\u00fafalos s\u00e3o mortos por uma mordida na garganta que bloqueia a traqueia \u2013 um m\u00e9todo conhecido na B\u00edblia como <em>chanak<\/em> (estrangular) (Na 2:13; cf. 2Sm 17:23).<\/p>\n\n\n\n<p><br>Seria de esperar que um generalista carn\u00edvoro e oportunista, com um espectro de presas t\u00e3o amplo, tivesse sempre comida em abund\u00e2ncia. Mas, surpreendentemente, a B\u00edblia menciona frequentemente a fome dos le\u00f5es: \u00abOs le\u00f5ezinhos passam necessidade e sentem fome\u2026\u00bb (Sl 34:10); \u00abO le\u00e3o morre, porque n\u00e3o h\u00e1 presa, e os filhos da leoa andam dispersos\u00bb (J\u00f3 4:11); \u00abOs le\u00f5ezinhos rugem pela presa, e buscam de Deus o sustento\u00bb (Sl 104:21); \u00abPorventura, ca\u00e7ar\u00e1s tu presa para a leoa ou satisfar\u00e1s a fome dos filhos dos le\u00f5es\u00bb (J\u00f3 38:39). Estas s\u00e3o descri\u00e7\u00f5es acertadas. A fome \u00e9, de facto, a causa de morte mais comum entre os le\u00f5es. Apesar de serem ca\u00e7adores habilidosos, t\u00eam um metabolismo extremamente elevado: mais de 60% da sua massa corporal \u00e9 m\u00fasculo. A sua necessidade di\u00e1ria de alimento varia entre os 5-10 kg de carne. Para satisfaz\u00ea-la, \u00e0s vezes devoram at\u00e9 40 kg numa \u00fanica refei\u00e7\u00e3o, e conservam a energia a descansar \u00e0 sombra durante a maior parte do dia.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as suas adapta\u00e7\u00f5es, at\u00e9 pequenas flutua\u00e7\u00f5es ambientais podem amea\u00e7ar a sua posi\u00e7\u00e3o no topo da cadeia alimentar. A nutri\u00e7\u00e3o inadequada reduz o seu desempenho \u2013 \u00abn\u00e3o acompanha\u00bb, por assim dizer \u2013 levando a uma espiral descendente. O risco de ferimentos aumenta, pois as presas n\u00e3o s\u00e3o indefesas, e um le\u00e3o enfraquecido pode facilmente ser pisado. Alguns bandos mudam de t\u00e1tica: passam a ca\u00e7ar gado dom\u00e9stico \u2013 ovelhas, cabras, vacas \u2013 e s\u00e3o frequentemente mortos por pastores (ver 1Sm 17:34-36; Is 31:4; Am 3:12). Outros procuram os restos das hienas, arriscando-se a combates perigosos, ou seguem os abutres at\u00e9 \u00e0 carca\u00e7a de algum animal morto. Durante estas crises alimentares, as crias s\u00e3o negligenciadas. S\u00e3o as primeiras a morrer quando as m\u00e3es e o grupo j\u00e1 n\u00e3o conseguem cuidar delas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 altamente incomum que um predador inclua humanos como parte regular da sua dieta \u2013 mas os le\u00f5es por vezes fazem-no. Bandos inteiros j\u00e1 ca\u00e7aram sistematicamente pessoas. Isso ocorreu, por exemplo, quando se erradicaram intencionalmente os ungulados dos seus habitats, para conter a peste bovina. Ningu\u00e9m considerou o que os le\u00f5es comeriam depois. Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante, pode ter ocorrido no Reino do Norte de Israel, saqueado e desolado, onde Deus permitiu que os le\u00f5es se tornassem um flagelo mortal (2Rs 17:24-26). A sua presen\u00e7a \u00e9 inconfund\u00edvel: o poderoso rugido de um le\u00e3o, que pode atingir 114 decib\u00e9is, propaga-se at\u00e9 8\u201310 quil\u00f3metros. Contudo, os le\u00f5es s\u00f3 adquirem a capacidade de rugir por volta dos dois anos \u2013 antes disso, apenas rosnam (Pv 19:12; 20:2; Jr 51:38).<br><\/p>\n\n\n\n<p>A mais infame s\u00e9rie de ataques de le\u00f5es causada pela escassez de alimento provocada pelo homem, ocorreu em 1898, quando dois le\u00f5es mataram 135 trabalhadores ferrovi\u00e1rios indianos e africanos em apenas alguns meses, chegando a arrast\u00e1-los para fora dos acampamentos vedados, ao longo do rio Tsavo, no Qu\u00e9nia. Embora estes n\u00fameros possam estar exagerados, \u00e9 f\u00e1cil imaginar o terror causado por estes felinos assassinos. Frequentemente, as raz\u00f5es s\u00e3o \u00f3bvias: le\u00f5es meio-cegos, coxos ou muito debilitados, t\u00eam poucas op\u00e7\u00f5es. Muito raramente, at\u00e9 le\u00f5es saud\u00e1veis tornam-se devoradores de homens \u2013 uma vez que descobrem o qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 matar um humano desarmado (cf. Ez 19:3-6). A B\u00edblia compara este perigo ao advers\u00e1rio mais tem\u00edvel: \u00abSede s\u00f3brios, vigiai, porque o diabo, vosso advers\u00e1rio, anda em derredor, bramando como le\u00e3o, buscando a quem possa tragar\u00bb (1Pe 5:8). O verbo grego <em>katapino<\/em> usado aqui significa \u00abengolir completamente\u00bb ou \u00abtragar como uma bebida\u00bb. Sem uma forte prote\u00e7\u00e3o, como a \u00abarmadura de Deus\u00bb (Ef 6:10-18), Satan\u00e1s \u2013 o \u00abhomicida desde o princ\u00edpio\u00bb (Jo 8:44) \u2013 poderia facilmente \u00abengolir\u00bb as suas v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1800\" height=\"1050\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3629\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113.jpg 1800w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113-300x175.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113-1024x597.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113-768x448.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113-1536x896.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Jean-Leon_Gerome_-_The_Christian_Martyrs_Last_Prayer_-_Walters_37113-600x350.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Damnatio ad bestias<\/em> \u2013 ser condenado \u00e0 morte por feras selvagens \u2013 foi um m\u00e9todo de execu\u00e7\u00e3o conhecido em v\u00e1rias culturas antigas. No Imp\u00e9rio Romano, os crist\u00e3os foram por vezes mortos dessa forma, como mostra a pintura <em>A \u00daltima Ora\u00e7\u00e3o dos M\u00e1rtires Crist\u00e3os<\/em>, de Jean-L\u00e9on G\u00e9r\u00f4me. A sua coragem foi um poderoso testemunho da for\u00e7a da f\u00e9: \u00abO sangue dos m\u00e1rtires tornou-se a semente da Igreja\u00bb (Tertuliano).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Quando a for\u00e7a do le\u00e3o aparece do lado oposto, simboliza um advers\u00e1rio poderoso. Naturalmente, isso faz dele uma figura da cria\u00e7\u00e3o ca\u00edda \u2013 hostil a todos os seres vivos, incluindo os humanos \u2013 e at\u00e9 usado por Deus como instrumento de ju\u00edzo (Jz 14:5; 1Sm 17:34; 1Rs 13:24; 20:36; 2Rs 17:25). Isso s\u00f3 mudar\u00e1 no futuro: \u00abO le\u00e3o novo e o novilho gordo andar\u00e3o juntos, e um pequenino os guiar\u00e1\u2026 o le\u00e3o comer\u00e1 palha como o boi.\u00bb (Is 11:6-7; 65:25).<\/p>\n\n\n\n<p>Num sentido figurado, o le\u00e3o simboliza frequentemente na\u00e7\u00f5es hostis (Is 5:29; Jr 4:7; 50:17,44) ou advers\u00e1rios humanos (2Sm 23:20; 1Cr 11:22; Sl 7:2; 10:9-10; 17:12; 22:13; 57:4; 58:6; Ez 22:25; 32:2), frequentemente influenciados pelo pr\u00f3prio Satan\u00e1s \u2013 como o cruel imperador Nero (2Tm 4:17). Paulo descreve as suas lutas em \u00c9feso usando a express\u00e3o <em>etheriomachesa<\/em> (1Co 15:32) \u2013 \u00abcombati &#8230; contra as bestas\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Deus \u00e9 tamb\u00e9m descrito como um le\u00e3o que ruge (Jeremias 25:38). Esta imagem \u00e9 amb\u00edgua: Ele \u00e9 o Salvador do seu povo, mas juiz e destruidor para os seus inimigos. Esta dualidade v\u00ea-se na forma como Deus agir\u00e1 atrav\u00e9s do seu povo renovado \u2013 o \u00abremanescente de Jacob\u201d. Para aqueles que acolhem o reinado do Messias, ser\u00e3o como \u00abcomo orvalho do SENHOR, como chuvisco sobre a erva\u201d (Mq 5:7). Mas para os que resistem, ser\u00e3o \u00abcomo um le\u00e3o entre os animais do bosque, como um le\u00e3ozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisar\u00e1 e despeda\u00e7ar\u00e1, sem que haja quem as livre\u00bb (Mq 5:8). Os dentes do le\u00e3o s\u00e3o o s\u00edmbolo m\u00e1ximo do terror (Jl 1:6).<br><\/p>\n\n\n\n<p>A imagem do le\u00e3o torna-se mais poderosa quando aplicada ao pr\u00f3prio Senhor Jesus. A simples presen\u00e7a de le\u00f5es era motivo (ou desculpa) para n\u00e3o sair de casa: \u00abO pregui\u00e7oso diz: \u2018H\u00e1 um le\u00e3o l\u00e1 fora! Serei morto na rua!\u2019\u00bb (Pv 22:13; cf. 26:13). Jesus sabia que havia \u00able\u00f5es\u00bb \u00e0 sua espera na Terra (Sl 22:13), e at\u00e9 Deus o encontrar\u00e1 como um le\u00e3o no julgamento pelos pecados da humanidade (Lm 3:10). Mas Ele n\u00e3o foi nem pregui\u00e7oso nem cobarde. Foi diligente, persistente, corajoso e determinado \u2013 deixando a \u00abSua casa\u00bb para, de forma volunt\u00e1ria, dar a Sua vida na cruz e salvar os que O aceitam.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Poder, agressividade, dom\u00ednio, uma postura ereta, uma juba esvoa\u00e7ante, um olhar penetrante e um rugido que estremece os ossos todas estas caracter\u00edsticas conferem ao le\u00e3o uma presen\u00e7a imponente. Est\u00e1 predestinado a simbolizar soberania e, por isso, \u00e9 o mais importante animal her\u00e1ldico da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"902\" height=\"806\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3630\" style=\"width:338px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid.jpg 902w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid-300x268.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid-768x686.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Remscheid-600x536.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 902px) 100vw, 902px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na her\u00e1ldica, o le\u00e3o e a \u00e1guia s\u00e3o as escolhas principais para os bras\u00f5es. Na terra natal do autor, \u00abo Le\u00e3o da Bergisches Land\u00bb, do antigo Ducado de Berg, \u00e9 omnipresente, como \u00e0 frente da c\u00e2mara municipal de Remscheid.<br>Na her\u00e1ldica, usam-se termos espec\u00edficos: este le\u00e3o est\u00e1 em \u00abposi\u00e7\u00e3o rampante, com as patas dianteiras erguidas, virado para a direita\u00bb uma representa\u00e7\u00e3o padr\u00e3o. A l\u00edngua e as garras azuis (\u00aba coura\u00e7a\u00bb), a pelagem vermelha e a cauda \u00abdividida e entrela\u00e7ada\u201d n\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas naturais dos le\u00f5es reais, mas podem refletir conven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, mesmo desde a Antiguidade.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O esplendor do rei Salom\u00e3o superava todos os outros reis. O seu trono de le\u00f5es, feito de marfim dourado, era t\u00e3o magn\u00edfico que a B\u00edblia regista: \u00abnunca se tinha feito obra semelhante em nenhum dos reinos\u00bb (1Rs 10:20).<br>Estavam colocados sete le\u00f5es de cada lado da escadaria que conduzia ao trono, com o par final nos apoios de bra\u00e7os. Claramente, Salom\u00e3o via-se a si pr\u00f3prio como o grande rei, como o \u00able\u00e3o principal\u00bb, para o qual todos os caminhos convergiam. Esta imagem repete-se nos seus prov\u00e9rbios: \u00abcomo o bramido do filho do le\u00e3o \u00e9 a indigna\u00e7\u00e3o do rei; mas, como o orvalho sobre a erva, \u00e9 a sua benevol\u00eancia\u00bb (Pv 19:12). \u00abComo o bramido do le\u00e3o \u00e9 o terror do rei; o que provoca a sua ira peca contra a sua pr\u00f3pria alma\u00bb (Pv 20:2). O nome Salom\u00e3o significa \u00abo pac\u00edfico\u00bb, e Deus deu-lhe o t\u00edtulo especial de \u00abJedidias\u00bb \u00abAmado do SENHOR\u00bb (2Sm 12:25). Salom\u00e3o \u00e9 um prot\u00f3tipo, uma prefigura\u00e7\u00e3o do verdadeiro Rei da Paz Jesus Cristo. Nos quatro seres viventes (Ez 1:10; 10:14; Ap 4:7), que simbolizam diferentes aspetos do Senhor, o rosto de le\u00e3o representa a Sua realeza. Quando assumir o Seu reinado, ser\u00e1 revelado a todos como o \u201cLe\u00e3o da tribo de Jud\u00e1\u00bb (Ap 5:5).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"772\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3631\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King.jpg 1200w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King-300x193.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King-1024x659.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King-768x494.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Daniels_Answer_to_the_King-600x386.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A b\u00edblia narra uma conspira\u00e7\u00e3o na corte medo-persa com o objetivo de eliminar o profeta Daniel, que era um dos principais ministros. Ele foi lan\u00e7ado na \u00abcova dos le\u00f5es\u201d, mas sobreviveu a uma noite sob \u00abcust\u00f3dia felina\u201d \u2014 ao contr\u00e1rio dos conspiradores, que mais tarde foram lan\u00e7ados l\u00e1 (Dn 6:1-24), como retratado na pintura de Briton Rivi\u00e8re.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>O que foi dif\u00edcil de compreender para os contempor\u00e2neos judeus de Jesus (mesmo os seus seguidores mais pr\u00f3ximos) foi que a profecia tamb\u00e9m atribu\u00eda ao Messias um s\u00edmbolo completamente oposto: \u00abEle foi oprimido, mas n\u00e3o abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele n\u00e3o abriu a boca\u00bb (Is 53:7).<br>Enquanto o le\u00e3o luta at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue quando atacado, o cordeiro \u00e9 indefeso. O rugido do le\u00e3o aterroriza os inimigos (Am 3:8), enquanto o cordeiro permanece em sil\u00eancio. Como poderiam estas duas imagens opostas cumprir-se na mesma pessoa? Continua a ser um mist\u00e9rio profundo at\u00e9 ser revelado em Jesus Cristo: \u00abMas, como est\u00e1 escrito: As coisas que o olho n\u00e3o viu, e o ouvido n\u00e3o ouviu, e n\u00e3o subiram ao cora\u00e7\u00e3o do homem s\u00e3o as que Deus preparou para os que o amam\u00bb (1Co 2:9). Ele veio \u00e0 Terra n\u00e3o para se sentar num trono, mas para ser crucificado em G\u00f3lgota como o \u00abCordeiro de Deus\u00bb (Jo 1:29,36), morrendo pelos pecados de muitos. O seu caminho foi \u201cdo trono do le\u00e3o para a cova dos le\u00f5es\u00bb.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Para vencer o mal, era necess\u00e1rio que o amor, o sacrif\u00edcio e a gra\u00e7a viessem primeiro e s\u00f3 depois o poder e o justo ju\u00edzo. Por isso, a imagem mais poderosa no fim da hist\u00f3ria \u00e9 a do Le\u00e3o que aparece como um Cordeiro: \u00abeis aqui o Le\u00e3o da tribo de Jud\u00e1, a Raiz de Davi&#8230; E olhei, e eis que estava no meio do trono&#8230; um Cordeiro, como havendo sido morto\u00bb (Ap 5:5-6). O Cordeiro morto mas de p\u00e9, simboliza o Senhor Jesus crucificado e ressuscitado. Muitos governantes poderosos vieram e passaram, mas a natureza do Cordeiro \u00e9 o Seu tra\u00e7o distintivo e vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>No Seu futuro Reino da Paz, o \u00abAriel\u00bb, a parte superior do altar do holocausto, estar\u00e1 no centro da enorme \u00e1rea quadrada do templo durante mil anos (Ez 43:15-16), um lembrete duradouro de que Jesus, o verdadeiro Le\u00e3o, um dia se sacrificou voluntariamente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"939\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3633\" style=\"width:337px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal.jpg 940w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal-300x300.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal-150x150.jpg 150w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal-768x767.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal-600x599.jpg 600w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Medal-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Medalha de Seringapatam retrata o le\u00e3o numa pose vitoriosa. Representa o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, enquanto o tigre derrotado simboliza o governante Tipu Sultan, que resistiu ferozmente \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o na col\u00f3nia da coroa brit\u00e2nica na \u00cdndia. A inscri\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na bandeira traduz-se como: \u00abO Le\u00e3o Vitorioso de Deus\u00bb.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-eccp-regular-font-size\"><br>Quem \u00e9 o predador terrestre mais poderoso? Quem vence num duelo: o le\u00e3o ou o tigre? Esta quest\u00e3o fascinava o autor ainda em crian\u00e7a. Mas n\u00e3o h\u00e1 uma resposta simples. Comparemos os concorrentes: ambos os grandes felinos s\u00e3o pot\u00eancias musculadas, lutando com resist\u00eancia, foco e inten\u00e7\u00e3o letal. O tigre \u00e9 claramente o \u00abatleta\u00bb \u2013 mais \u00e1gil, mais r\u00e1pido, salta mais longe, trepa e nada melhor, e supera o le\u00e3o em tamanho m\u00e1ximo, peso e for\u00e7a bruta. Tem uma abertura mandibular mais ampla, caninos mais longos, garras mais afiadas, patas mais largas e um c\u00e9rebro maior. Mas o le\u00e3o tem maior for\u00e7a de mordida e golpes de pata mais potentes. Uma grande vantagem \u00e9 a espessa juba, que protege o seu pesco\u00e7o vulner\u00e1vel \u2013 o alvo favorito do tigre. Os le\u00f5es tamb\u00e9m enfrentam rivais regularmente e abatem presas grandes e perigosas sozinhos, enquanto que os tigres preferem emboscadas solit\u00e1rias e presas mais f\u00e1ceis. Apesar do c\u00e9rebro menor, muitos domadores que trabalharam com ambas as esp\u00e9cies consideram o le\u00e3o mais inteligente. Com tantas vari\u00e1veis, \u00e9 dif\u00edcil declarar um vencedor claro.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-eccp-regular-font-size\">Os romanos encenaram combates brutais entre animais nas suas arenas durante s\u00e9culos \u2013 por vezes com este confronto direto. Registos hist\u00f3ricos sugerem que viam o le\u00e3o como favorito. Mas o contexto importa: usavam sobretudo le\u00f5es-do-Atlas (<em>Felis leo barbaricus<\/em>), a subesp\u00e9cie de le\u00e3o maior, capturados no Norte de \u00c1frica. Estes combatiam frequentemente contra tigres persas (<em>Panthera tigris virgata<\/em>), uma subesp\u00e9cie de tamanho m\u00e9dio. Os Maraj\u00e1s indianos tamb\u00e9m organizavam os combates \u2013 entre os tigres de Bengala (<em>Panthera tigris tigris<\/em>) e os mais pequenos le\u00f5es asi\u00e1ticos (<em>Panthera leo persica<\/em>). Sem surpresa, consideravam o tigre superior. Existe at\u00e9 uma subesp\u00e9cie maior \u2013 o enorme tigre-siberiano (<em>Panthera tigris altaica<\/em>) \u2013 que provavelmente nunca encontrou le\u00f5es na natureza. Culturalmente, parece que a Europa e o Oriente M\u00e9dio favoreciam o le\u00e3o, enquanto que a \u00cdndia e o Externo Ori\u00e9nte favoreciam o tigre \u2013 embora a \u00cdndia ainda exiba um le\u00e3o no seu emblema nacional. Estes filtros culturais provavelmente moldaram tanto a forma como os animais foram representados como a maneira como os seus combates foram julgados.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-eccp-regular-font-size\">Por mais fascinante que seja o debate, os resultados dos combates orquestrados por humanos t\u00eam pouco valor cient\u00edfico. Mesmo dentro da mesma popula\u00e7\u00e3o, os indiv\u00edduos variam muito em tamanho, constitui\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia de combate. Adicionar a varia\u00e7\u00e3o de subesp\u00e9cies s\u00f3 complica ainda mais. Em jardins zool\u00f3gicos e circos, h\u00e1 registos de confrontos \u2013 mas na natureza, tais duelos s\u00e3o extremamente raros. Os seus habitats naturais quase n\u00e3o se sobrep\u00f5em, e geralmente evitam-se mutuamente. Al\u00e9m disso, os tigres s\u00e3o solit\u00e1rios, enquanto que os le\u00f5es vivem em bandos sociais \u2013 os \u00fanicos felinos que o fazem a longo prazo. Num confronto real, todo o bando provavelmente interviria em favor do le\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Bro-J\u00f8rgensen, J: <em>Evolution of sprinting speed in African savannah herbivores in relation to predation<\/em>. Evolution 2013; 67:3371-3376; https:\/\/doi.org\/10.1111\/evo.12233<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Eklund, R; Peters, G; Ananthakrishnan, G: <em>An acoustic analysis of lion roars<\/em>. I: Data collection and spectrogramand waveform analyses. Proceedings from Fonetik 2011. 51:1-5; https:\/\/www.diva-portal.org\/smash\/get\/diva2:541510\/FULLTEXT01.pdf<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Elliott, JP; McTaggart Cowan, I; Holling, CS: <em>Prey capture by the African lion<\/em>. Canadian Journal of Zoology 1977; 55(11):1811-1828; doi: 10.1139\/z77-235<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Futrell, A: <em>The Roman Games<\/em>. A Sourcebook. Malden, Massachusetts, USA (Blackwell Publishing) 2006<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Haas, SK; Hayssen, V; Krausman, PR: <em>Panthera leo<\/em>. Mammalian Species 2005; 762:1-11; doi: 10.1644\/1545-1410(2005)762[0001:PL]2.0. CO;2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Hammer, M: Rekonstruktion: <em>Als L\u00f6wen Menschen fra\u00dfen<\/em>. science. orf.at 03.11.2009; https:\/\/sciencev2.orf.at\/stories\/1631016\/index.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Hayward, MW; Kerley, GIH: <em>Prey preferences of the lion<\/em>. Journal of Zoology 2005; 267(3):309-322; doi: 10.1017\/S0952836905007508<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Kerbis Peterhans, JC; Gnoske, TP: <em>The Science of \u00bbMan-Eating\u00ab Among Lions Panthera leo<\/em>. Journal of East African Natural History 2001; 90(1)1\u201340<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Kessler, G; Klinger, C; Meder, A: <em>Lebendige Wildnis \u2013 Tiere der Afrikanischen Savanne<\/em> (L\u00f6wen, S. 27-44). Stuttgart (Das Beste) 1992<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Kohn, TA; Noakes, TD: <em>Lion (Panthera leo) type IIx single muscle fibre force and power exceed that of trained humans<\/em>. Journal of Experimental Biology 2013; 216(6):960\u2013969; doi: 10.1242\/jeb.078485<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Linnemann, E: <em>Gibt es ein synoptisches Problem?<\/em> N\u00fcrnberg (VTR) 2012<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Rapson, JA; Bernard, RTF: <em>Interpreting the diet of lions<\/em>. South African Journal of Wildlife Research 2007; 37(2):179-187; https:\/\/hdl. handle.net\/10520\/EJC117267<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Skaggs, R: <em>Lion and Lamb in the Apocalypse of John<\/em>. Academia Letters 2020; Article 87; doi: 10.20935\/AL87<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Wilson, A; Hubel, T; Wilshin, S: <em>Biomechanics of predator\u2013prey arms race in lion, zebra, cheetah and impala<\/em>. Nature 2018; 554:183188; doi: 10.1038\/nature25479<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Wroe, S; McHenry, C; Thomason, J: <em>Bite club: comparative bite force in big biting mammals<\/em>. Proceedings of the Royal Society B 2005; 272(619-625); doi: 10.1098\/rspb.2004.2986<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">World Wide Fund For Nature (WWF): <em>Artenlexikon<\/em>; https:\/\/www.wwf.de\/themen-projekte\/artenlexikon\/loewe<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Yeakel, JD; Patterson, BD; Fox-Dobbs, K: <em>Cooperation and individuality among man-eating lions<\/em>. Proceedings of the National Academy of Sciences 2009; 106(45)19040-19043; doi: 10.1073\/pnas.0905309106<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Cr\u00e9ditos de Imagem:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Wildlife photos: Marc Walter<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\" style=\"line-height:1\">Wikipedia: Christenverfolgung Kolosseum \/ Jean-L\u00e9on_G\u00e9r\u00f4me_The_Christian_Martyrs\u2019_Last_Prayer.jpg \/ Walters Art Museum \/\/ Bergischer L\u00f6we &#8211; Remscheid \/ Remscheid_Bergischer_L\u00f6we_02.jpg \/\/ Daniel in der L\u00f6wengrube \/ Daniel\u2019s_Answer_to_the_King.jpg \/ allposters \/\/ Seringapatam Medallie \/ Seringapatam_Medal_obv.jpg \/ Lubicz<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dito sobre o Panthera leo: \u00bbo le\u00e3o, o mais forte entre os animais, que por ningu\u00e9m torna atr\u00e1s\u00ab (Pv 30:30).<br \/> O tem\u00edvel grande felino[\u2026]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4368,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"remove_blocks_before_content":false,"remove_blocks_after_content":false,"disable_reading_progress_bar":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-3623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-animals-of-the-field"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3623"}],"version-history":[{"count":51,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5235,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3623\/revisions\/5235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}