{"id":6057,"date":"2026-04-22T21:06:48","date_gmt":"2026-04-22T20:06:48","guid":{"rendered":"https:\/\/parquediscovery.pt\/de\/?p=6057"},"modified":"2026-06-20T18:41:35","modified_gmt":"2026-06-20T17:41:35","slug":"physarum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/physarum","title":{"rendered":"Physarum polycephalum"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Amarelo-vivo, gelatinoso \u2014 e espantosamente inteligente: um organismo ex\u00f3tico, que n\u00e3o se encaixa em nenhuma categoria e que rebenta com a nossa imagem do unicelular \u00abprimitivo\u00bb. Sem c\u00e9rebro, sem nervos e, mesmo assim, \u00e9 capaz de aprender, de decidir e de resolver problemas complexos. Este ser mut\u00e1vel vem abalar a biologia, a matem\u00e1tica e a filosofia. Ele divide-se, funde-se, migra, calcula e disp\u00f5e de um repert\u00f3rio surpreendente de estrat\u00e9gias para situa\u00e7\u00f5es de crise. Aquilo que, \u00e0 primeira vista, parece apresentar-se discretamente como um organismo unicelular banal, revela-se uma forma de vida com uma intelig\u00eancia desconcertante. Este artigo conduz-nos pelas suas op\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jena, 1874. \u00c0 secret\u00e1ria de carvalho do seu gabinete, na \u00abUniversidade Geral Gr\u00e3o-Ducal e Ducal Sax\u00f3nica de Jena\u00bb, o professor Dr. Ernst Heinrich Philipp August Haeckel est\u00e1 sentado diante de uma folha de desenho branca e vazia. Entusiasmado com a teoria da descend\u00eancia de Darwin, a quem conhecera pessoalmente em Inglaterra, trabalha numa obra pr\u00f3pria, na qual pretende explicar a origem do homem a partir do reino animal. Como artista extraordinariamente dotado, \u00e9 capaz de enriquecer a sua monografia com ilustra\u00e7\u00f5es excelentes; mas, onde \u00e9 que ele deve come\u00e7ar a sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica? Quais s\u00e3o os \u00abseres lim\u00edtrofes\u00bb entre as plantas e os animais \u2014 ou seja, seres vivos que apresentam pelo menos uma caracter\u00edstica dos animais (como, por exemplo, se considerava ser a locomo\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma) mas que, para al\u00e9m disso, s\u00e3o t\u00e3o primitivos que n\u00e3o revelam quaisquer estruturas complexas? O professor cr\u00ea ter encontrado <em>nas amebas<\/em> os candidatos certos. At\u00e9 com um microsc\u00f3pio simples consegue observar como estas pequenas gotas de muco ondulam lentamente pelo campo de vis\u00e3o, reagindo a diferentes est\u00edmulos e mudando constantemente de forma \u2014 raz\u00e3o pela qual tamb\u00e9m eram chamadas \u00abanim\u00e1lculos mut\u00e1veis\u00bb. A partir desta forma inicial simples teria, provavelmente, surgido a vida \u00absuperior\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-ur-schleim.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"823\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-ur-schleim.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6059\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-ur-schleim.jpg 723w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-ur-schleim-264x300.jpg 264w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-ur-schleim-600x683.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ilustra\u00e7\u00e3o mostra as etapas da \u00e1rvore geneal\u00f3gica comum de todos os seres vivos, tal como Ernst Haeckel a imaginava. Postula-se um desenvolvimento geral ascendente \u00abda ameba (1) at\u00e9 Goethe (n\u00e3o representado na imagem)\u00bb.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 hoje, as amebas s\u00e3o classificadas no reino <em>Protista<\/em> (= o primeiro), no grupo dos <em>Protozoa<\/em> (= os primeiros animais), e consideradas as precursoras dos seres vivos multicelulares. A ideia de que aqui estamos perante organismos primitivos pertence ao caixote do lixo da ci\u00eancia. At\u00e9 se pode afirmar precisamente o contr\u00e1rio, e com toda a raz\u00e3o: s\u00e3o as c\u00e9lulas mais eficientes que existem! Enquanto que no nosso corpo 210 diferentes tipos de c\u00e9lulas t\u00eam de dividir o trabalho entre si, porque cada uma delas desempenha apenas algumas fun\u00e7\u00f5es, uma c\u00e9lula protista faz tudo sozinha. Nenhuma das nossas c\u00e9lulas corporais consegue exercer a sua fun\u00e7\u00e3o fora do corpo, nem sequer sobreviver por conta pr\u00f3pria durante muito tempo. Numa compara\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel celular \u2014 bastante \u00f3bvia no caso dos organismos unicelulares \u2014, este an\u00e3o mut\u00e1vel revela-se uma verdadeira obra-prima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao matem\u00e1tico brit\u00e2nico Bertrand Russell deve-se a seguinte frase: \u00abUm processo que conduziu da ameba ao ser humano pareceu aos fil\u00f3sofos significar um progresso evidente \u2014 mas n\u00e3o se sabe se a ameba concordaria com tal opini\u00e3o.\u00bb \u00c0 parte da quest\u00e3o de saber se este processo chegou mesmo a ocorrer, uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta deixa igualmente em aberto em que medida uma ameba deveria sequer \u00abprogredir\u00bb, uma vez que est\u00e1 excelentemente adaptada \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Mergulhemos no microcosmos e acompanhemos o <em>Physarum polycephalum<\/em>, um \u00abser mut\u00e1vel\u00bb por excel\u00eancia, que simplesmente temos de aprender a estimar. Como o nome \u00e9 um pouco complicado, podemos chamar-lhe aqui simplesmente de Pepe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontramo-lo como um lutador solit\u00e1rio disperso: uma ameba de 20 a 50 micr\u00f3metros de comprimento numa gota de \u00e1gua sob o microsc\u00f3pio. \u00c0 primeira vista, v\u00ea-se uma mancha achatada, que est\u00e1 constantemente em movimento, com bolhas e gr\u00e2nulos grandes e pequenos, claros e escuros, a movimentarem-se incessantemente no seu interior. Uma observa\u00e7\u00e3o mais rigorosa destes processos mostra que ele <em>flui<\/em> sobre a superf\u00edcie de vidro da l\u00e2mina. No lado para onde avan\u00e7a, surgem pequenas sali\u00eancias; a sopa granulosa escorre para dentro delas, elas incham como um bal\u00e3o a ser insuflado e, ao mesmo tempo, expandem-se cada vez mais para a frente. Simultaneamente, na outra extremidade, aparecem rugas e dobras, enquanto que a \u00abparte traseira\u00bb se desprende e \u00e9 puxada para a frente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1306\" height=\"923\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6115\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein.jpg 1306w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein-300x212.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein-768x543.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-flies-fuser-klein-600x424.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1306px) 100vw, 1306px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1623\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6126\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-300x190.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-768x487.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-1536x974.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-2048x1298.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/Amobe_Aufbau-PT-600x380.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A pulsa\u00e7\u00e3o do vac\u00faolo, os movimentos fluidos dos pseud\u00f3podes e uma vida interior fervilhante e desordenada \u2014 isto \u00e9 tudo o que se consegue observar numa ameba ao microsc\u00f3pio \u00f3ptico. As ves\u00edculas esverdeadas s\u00e3o algas ingeridas, que est\u00e3o a ser digeridas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo dos seus padr\u00f5es de movimento permite reconhecer que ele explora sistematicamente o seu ambiente, procura alimento e evita a luz. A membrana que o envolve n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma \u00abbolsa de muco\u00bb, mas uma verdadeira ferramenta multifuncional, densamente equipada com os mais diversos recetores. Alguns reagem a sinais qu\u00edmicos e servem, assim, como l\u00edngua e nariz; indicam o caminho at\u00e9 ao alimento e avisam do perigo. Outros respondem a est\u00edmulos mec\u00e2nicos, permitindo a perce\u00e7\u00e3o da press\u00e3o, do toque, da corrente e da temperatura, e h\u00e1 ainda outros que reagem \u00e0 luz. Cada recetor envia as suas descobertas para dentro da c\u00e9lula sob a forma de subst\u00e2ncias mensageiras. Como a sua concentra\u00e7\u00e3o diminui \u00e0 medida que se espalham, torna-se claro de que dire\u00e7\u00e3o v\u00eam. Assim, transmitem tamb\u00e9m uma informa\u00e7\u00e3o espacial. No seu conjunto, a mistura colorida das subst\u00e2ncias mensageiras representa todos os aspetos do mundo exterior que s\u00e3o importantes para uma ameba. Com base nisso, ela decide o rumo a seguir atrav\u00e9s de um processo de vota\u00e7\u00e3o \u00abmolecular-democr\u00e1tico\u00bb permanente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, al\u00e9m de servir para a locomo\u00e7\u00e3o e a perce\u00e7\u00e3o, a membrana funciona tamb\u00e9m como sistema digestivo. Quando a gelatina ambulante encontra um objeto que considera aproveit\u00e1vel, forma num abrir e fechar d\u2019olhos uma \u00abboca\u00bb no ponto de contacto e envolve-o por todos os lados com os seus pseud\u00f3podes (\u00e9 assim que se designam as sali\u00eancias e protuber\u00e2ncias na linguagem t\u00e9cnica). Assim que estes voltam a tocar-se, fundem-se uns com os outros e \u2014 z\u00e1s! \u2014 a presa, por exemplo, uma bact\u00e9ria ou uma alga pequena, passa a flutuar no interior da ameba, embrulhada numa ves\u00edcula de membrana. Desta forma formou-se um pequeno \u00abest\u00f4mago\u00bb, para o qual s\u00e3o agora introduzidas v\u00e1rias enzimas que dissolvem o conte\u00fado e transportam os nutrientes. No caso de alimento desconhecido, por vezes \u00e9 necess\u00e1rio experimentar durante um pouco mais de tempo, at\u00e9 ficar claro qual a melhor forma de os processar. A mistura de enzimas, que acabou por ser uma receita de sucesso, \u00e9 depois produzida em quantidade suficiente para ser armazenada como reserva, pois um petisco raramente vem sozinho. Se, por engano, algo completamente indigesto entrar como h\u00f3spede, isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 grave: a ves\u00edcula simplesmente volta a deslocar-se para a parede interna, funde-se com ela e liberta novamente o conte\u00fado para o exterior. O mesmo acontece tamb\u00e9m com os restos dos alimentos diger\u00edveis, de modo que a membrana funciona como \u00f3rg\u00e3o excretor. Com este \u00faltimo passo no processo alimentar, que na biologia se designa por \u00abfagocitose\u00bb, a ves\u00edcula boca-est\u00f4mago-intestino-\u00e2nus volta simplesmente a tornar-se parte do revestimento da membrana exterior. Naturalmente, esta bolsa cut\u00e2nea enrugada presta ainda muitos outros servi\u00e7os: determinadas subst\u00e2ncias s\u00e3o transportadas para dentro ou para fora da c\u00e9lula conforme a necessidade; certas biomol\u00e9culas s\u00e3o captadas de forma seletiva, e a troca gasosa, necess\u00e1ria para a respira\u00e7\u00e3o, ocorre igualmente atrav\u00e9s da membrana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1559\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6128\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-300x183.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-1024x624.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-768x468.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-1536x936.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-2048x1247.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-einge-sackt-PT-600x365.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As part\u00edculas alimentares, como esta bact\u00e9ria, s\u00e3o simplesmente envolvidas e encapsuladas. Os lisossomas cont\u00eam enzimas digestivas e fundem-se com a \u00abbolsa de provis\u00f5es\u00bb. A presa \u00e9 decomposta, os nutrientes difundem-se para o endoplasma e os res\u00edduos indiger\u00edveis s\u00e3o eliminados para o exterior, assim que a bolsa se reintegra na parede externa.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 agora, com o seu \u201ctruque da captura\u201d, o nosso pequeno amigo tamb\u00e9m poderia beber, incorporando simplesmente uma gota de l\u00edquido sem presa. Mas isso raramente \u00e9 necess\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio: como vive em \u00e1gua doce, mas no seu interior \u00e9 muito \u00absalgado\u00bb, a \u00e1gua infiltra-se constantemente nele atrav\u00e9s de todas as fendas e poros. Ele incharia e rebentaria se a sua \u00abbomba de drenagem\u00bb, chamada de \u00abvac\u00faolo contr\u00e1til\u00bb, n\u00e3o estivesse em funcionamento dia e noite. Os seus movimentos r\u00edtmicos de bombeamento consomem-lhe muita energia e s\u00e3o bem vis\u00edveis ao microsc\u00f3pio. Por isso, um observador inexperiente poderia confundir esta estrutura com o \u00abcora\u00e7\u00e3o\u00bb da ameba, mas, em termos de fun\u00e7\u00e3o, ela corresponde ao rim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os processos e sistemas descritos s\u00e3o geniais e altamente complexos; no entanto, tal como muitos outros organelos celulares, que ainda nem sequer foram aqui mencionados, fazem parte do equipamento b\u00e1sico de qualquer ameba comum, sendo que \u00abameba\u00bb \u00e9 um termo gen\u00e9rico que designa o modo de vida de um grupo muito diversificado de organismos unicelulares. Algumas delas realizam fotoss\u00edntese e procuram a luz, enquanto que o nosso amigo prefere a escurid\u00e3o. <em>Elas<\/em> podem dispensar a fagocitose, ao passo que <em>ele<\/em> morreria de fome. Algumas esp\u00e9cies escondem-se em conchas, enquanto que ele, como a maioria das amebas, anda \u00e0 solta. Outras vivem no mar e, na \u00e1gua salgada, n\u00e3o precisam de vac\u00faolo contr\u00e1til, enquanto que ele rebentaria se este falhasse por um breve instante. Outras ainda s\u00e3o parasitas e agentes patog\u00e9nicos para animais e seres humanos, chegando at\u00e9 \u00e0 ameba assassina devoradora de c\u00e9rebros, enquanto que ele n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m. A raz\u00e3o pela qual o estamos a examinar mais de perto, deve-se simplesmente ao facto de ter sido o \u00fanico a ser estudado com mais detalhe. S\u00f3 Deus sabe as surpresas que o mundo dos microrganismos ainda nos reserva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o <em>Physarum polycephalum<\/em> for mantido sobre uma placa h\u00famida de vidro ou de pl\u00e1stico e receber alimento suficiente, um \u00abcontinuar assim\u00bb segundo o \u00abPlano A\u00bb \u2014 \u00e0 maneira do \u00abestilo de vida <em>ameb\u00f3ide<\/em>\u00bb \u2014 oferece-lhe tudo aquilo de que precisa para ser feliz. Em teoria, ele poderia viver assim \u00abeternamente\u00bb, porque \u00e9 \u00abpotencialmente imortal\u00bb. Uma vez que tenha ingerido tanto alimento que quase tenha duplicado o seu tamanho inicial, basta-lhe copiar simplesmente todas as estruturas e informa\u00e7\u00f5es vitais, repartir as reservas de forma equitativa, apertar-se ao meio e dividir-se. Mas, qual dos dois \u00e9 agora \u00abo nosso amigo\u00bb? Se houver uma boa oferta de alimento, todo o processo demora apenas algumas horas: 2, 4, 6, 8\u2026 tornam-se cada vez mais numerosos. Eles conquistariam o mundo se houvesse humidade suficiente em toda a parte e se este j\u00e1 n\u00e3o estivesse repleto de tantos outros seres, alguns dos quais se alimentam de amebas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1131\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6129\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-300x133.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-1024x452.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-768x339.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-1536x679.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-2048x905.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S260-Amobe-Teilung-PT-600x265.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se deixarmos o seu pequeno ref\u00fagio secar, podemos observar como ele realiza obras de remodela\u00e7\u00e3o fren\u00e9ticas e depois se encolhe at\u00e9 se tornar num pequeno bot\u00e3o cinzento. Mas, n\u00e3o se preocupe \u2014 n\u00e3o lhe aconteceu nada. Ele apenas ativou o programa de emerg\u00eancia \u00abPlano B\u00bb, encerrando-se numa pequena esfera <em>blindada<\/em> e desativando todas as atividades. Nesta forma, denominada de \u00abcisto\u00bb, ele suporta a seca, o calor e o frio durante longos per\u00edodos de tempo. Se, passados alguns anos, voltarmos a deitar \u00e1gua sobre ele, n\u00e3o demora nem meia hora at\u00e9 que a carapa\u00e7a se rompa, o nosso pequeno amigo volte a fluir para fora e se expanda at\u00e9 ao seu tamanho normal, como se nada tivesse acontecido. Ali\u00e1s, ele pode recorrer a esta estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Quando ele tem a \u00absensa\u00e7\u00e3o\u00bb de que o querem envenenar, ou quando tem a certeza absoluta de que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nada para comer em todo o seu entorno, ele protege-se por precau\u00e7\u00e3o e espera por tempos melhores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o mantivermos no fundo de um recipiente cheio de \u00e1gua, sem lhe oferecer alimento, ele provavelmente passar\u00e1 ao \u00abPlano C\u00bb \u2014 como \u00ab<em>conquista<\/em> de oportunidades\u00bb \u2014, um programa de a\u00e7\u00e3o para emigrantes e descobridores. Para este projeto, a sua locomo\u00e7\u00e3o fluida, que decorre de forma muito tranquila e s\u00f3 permite avan\u00e7ar sobre superf\u00edcies, n\u00e3o \u00e9 particularmente adequada; por isso, aqui tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias algumas adapta\u00e7\u00f5es para se transformar numa \u00abc\u00e9lula de enxame\u00bb (mixoflagelado). Primeiro, define-se onde fica a frente e onde fica a parte traseira. Depois, na parte traseira rec\u00e9m-definida, constr\u00f3i-se um motor externo a partir de dois flagelos semelhantes a cordas. Ao mesmo tempo, os recetores mais importantes re\u00fanem-se na extremidade da cabe\u00e7a e instalam um sistema de controlo. Por fim, o nosso amigo desprende-se do fundo e liga o motor. Os longos flagelos impulsionam-no, com batidas sincronizadas, de um lado para o outro do recipiente, em busca de alimento. Mas agora \u00e9 melhor aliment\u00e1-lo rapidamente \u2014 tanto esfor\u00e7o e tanta criatividade merecem ser recompensados!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1941\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6130\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-300x227.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-1024x776.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-768x582.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-1536x1165.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-2048x1553.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S261-Myxoflagellat-PT-600x455.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 para o Pepe, mas aplica-se a muitas outras esp\u00e9cies de amebas. \u00c9 aqui mencionado apenas por uma quest\u00e3o de completude: um pioneiro est\u00e1 a caminho como emigrante e descobre um pequeno para\u00edso \u2014 uma fonte de alimento protegida e abundante. N\u00e3o importa se chega a tal lugar calmamente \u00aba p\u00e9\u00bb, se \u00e9 levado at\u00e9 l\u00e1 pelo vento como esporo voador, ou se aparece a toda a velocidade com o seu motor externo: em qualquer dos casos, vai ficar por l\u00e1, alimentar-se sem parar e reproduzir-se esplendidamente. Tamb\u00e9m os seus descendentes n\u00e3o sentem qualquer vontade de abandonar este belo lugar e, assim, poucos dias depois, verifica-se j\u00e1 uma sobrepopula\u00e7\u00e3o e o alimento come\u00e7a a escassear. Atrav\u00e9s de subst\u00e2ncias mensageiras qu\u00edmicas, que libertam para o ambiente, conseguem \u00abcheirar-se\u00bb mutuamente e t\u00eam uma \u00abideia\u00bb bastante exata da atual densidade populacional no territ\u00f3rio. Quando percebem que se tornaram \u00abum povo forte\u00bb, reagem ao esgotamento da fonte de alimento desencadeando o \u00abPlano D\u00bb, que exige uma organiza\u00e7\u00e3o <em>diligente<\/em>, mas que, em compensa\u00e7\u00e3o, combina as vantagens do Plano B \u2014 uma forma duradoura e resistente, sem necessidades \u2014 com as do Plano C \u2014 a conquista de novos habitats. O que se segue \u00e9 sensacional! J\u00e1 foi adaptado para o cinema centenas de vezes, e \u00e9 algo que vale a pena ver, pelo menos uma vez. Primeiro desenrola-se um processo \u00abdemocr\u00e1tico de base\u00bb. Como as mol\u00e9culas de sinaliza\u00e7\u00e3o com que comunicam j\u00e1 s\u00e3o conhecidas, os investigadores hoje podem \u00abouvir\u00bb \u2014 e at\u00e9 \u00abintervir na conversa\u00bb. Todo o grupo est\u00e1 agora a deliberar. Quanto mais pr\u00f3ximos est\u00e3o uns dos outros, maior \u00e9 a press\u00e3o. Por isso, \u00e9 a\u00ed que se encontram a maioria dos defensores da execu\u00e7\u00e3o do grande plano. Assim que a vota\u00e7\u00e3o molecular for conclu\u00edda, segue-se o sinal: \u201cVamos l\u00e1!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De todos os lados, as amebas fluem agora em forma de estrela para o centro do movimento e formam ali, sem se fundirem, um grande aglomerado oscilante, que se vai condensando cada vez mais e depois come\u00e7a a mover-se de forma coordenada. Embora se trate de uma acumula\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas semelhantes e \u00abcom direitos iguais\u00bb, elas conseguem formar uma \u00ablesma migrat\u00f3ria\u00bb, que rasteja \u00e0 procura de um local adequado, acaba por parar a certa altura e se transforma em diferentes padr\u00f5es. J\u00e1 se tentou sistematizar e interpretar essas v\u00e1rias formas, mas, at\u00e9 hoje, n\u00e3o foi bem conseguido. Em todo o caso, estas figuras receberam nomes giros: chap\u00e9u mexicano, capacete de a\u00e7o, cone, dedo, gorro pontiagudo e babushka. Por mais variada que possa ser a coreografia das amebas da \u00abdancing crowd\u00bb, o final \u00e9 sempre igual: de repente, a dan\u00e7a termina e a multid\u00e3o estica-se energicamente para cima. Os colegas no solo fixam-se firmemente e constroem uma base est\u00e1vel; os do meio afastam-se, formando uma haste longa e fina; enquanto que os que est\u00e3o na dianteira libertam todo o l\u00edquido excedente e encolhem, transformando-se numa bola redonda de esporos min\u00fasculos e bem compactados. Mais tarde, basta uma leve brisa para soprar as esferas de esporos da haste ressequida e lev\u00e1-las para um futuro melhor. No entanto, todos os colaboradores envolvidos na constru\u00e7\u00e3o da base e da haste esgotaram-se completamente nesse processo. Estes secam-se, sem se transformarem previamente em esporos ou cistos. A sua morte sacrificial \u00abaltru\u00edsta\u00bb permite que a maioria do grupo sobreviva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1022\" height=\"724\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6064\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett.jpg 1022w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett-300x213.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett-768x544.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-amoben-ballett-600x425.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1022px) 100vw, 1022px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma ameba em excelente estado (1) multiplica-se rapidamente (2). Mas em breve os recursos esgotam-se. Elas juntam-se (3), agregam-se (4), formam uma \u00ablesma migrat\u00f3ria\u00bb (5), para procurar um local adequado para a dan\u00e7a de forma\u00e7\u00e3o (6-7), que termina na forma\u00e7\u00e3o de uma c\u00e1psula de esporos numa longa haste. Quando um \u00fanico esporo (9) pousa num ambiente adequado, o ciclo recome\u00e7a.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com bons cuidados, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel manter sem problemas um grupo animado de amebas num frasco de compota, durante d\u00e9cadas. Mas, se pud\u00e9ssemos perguntar ao nosso pequeno amigo o que lhe faltava para ser feliz, ele provavelmente responderia que os outros o aborrecem terrivelmente. Afinal, eles s\u00e3o praticamente uma parte dele, fazem as mesmas experi\u00eancias e t\u00eam os mesmos \u00abconhecimentos\u00bb e capacidades. S\u00e3o geneticamente id\u00eanticos e n\u00e3o t\u00eam absolutamente nada \u00abpara contar\u00bb uns aos outros. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente diferente, por\u00e9m, quando se junta uma ameba da mesma esp\u00e9cie, proveniente de outra regi\u00e3o. Ela \u00e9 imediatamente reconhecida como ex\u00f3tica por cada habitante do nosso frasco. O primeiro que consegue estabelecer contacto com a rec\u00e9m-chegada ir\u00e1 ativar imediatamente o \u00abPlano E\u00bb \u2014 como \u00ab<em>enlace<\/em> nupcial\u00bb \u2014 e fundir-se com ela. Portanto, tamb\u00e9m funciona ao contr\u00e1rio: de dois, faz-se um. O que torna esta variante especial \u00e9 que, aqui, d\u00e1-se a combina\u00e7\u00e3o de dois genomas diferentes. O n\u00facleo celular, que nem sequer ainda foi aqui mencionado, mas que, como uma grande mancha escura, \u00e9 a primeira coisa que salta \u00e0 vista do observador, cont\u00e9m o ADN, a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da c\u00e9lula. At\u00e9 agora, o nosso amigo possu\u00eda um conjunto cromoss\u00f3mico simples (haploide); mas, depois da fus\u00e3o, os dois n\u00facleos celulares aproximam-se \u2014 e, de repente, ele torna-se diploide. Isto \u00e9 algo como \u00abtornar-se adulto\u00bb e abre-lhe perspetivas completamente novas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase parece que ele est\u00e1 ciente de que, em duplicado, \u00e9 algo melhor, pois agora ocorre uma transforma\u00e7\u00e3o not\u00e1vel. Assim que atinge o dobro do seu tamanho, copia, como de costume, o n\u00facleo celular. Mas agora \u00e9 ativado o \u00abPlano F\u00bb \u2014 como \u00abcrescimento f<em>ulminante<\/em>\u00bb. Em vez de se apertar e dividir, j\u00e1 n\u00e3o se separa, mas permanece unido e transforma-se num \u00abplasm\u00f3dio\u00bb: surge uma c\u00e9lula gigante. Em breve, ela emerge do microcosmos e aparece inicialmente como um disco achatado de gelatina, ainda muito m\u00f3vel e em constante crescimento. Se ocorrer uma crise, existe tamb\u00e9m aqui um plano de emerg\u00eancia, \u00abF-standby\u00bb, que prev\u00ea, numa primeira etapa, a divis\u00e3o em unidades menores e, numa segunda etapa, se a crise se agravar, a forma\u00e7\u00e3o de pequenas esferas de esporos secas. Ambas as etapas podem ser rapidamente revertidas caso a situa\u00e7\u00e3o melhore. Nesse caso, os fragmentos voltam simplesmente a unir-se e continuam a crescer em conjunto. Enquanto, na forma de ameba, ele dependia de uma pel\u00edcula de \u00e1gua e tinha de drenar o excesso de \u00e1gua do seu interior, agora necessita apenas de um ambiente moderadamente h\u00famido e tem de se certificar de que n\u00e3o seca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1044\" height=\"785\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6065\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe.jpg 1044w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe-300x226.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe-1024x770.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe-768x577.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-freund-pepe-600x451.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1044px) 100vw, 1044px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O <em>Physarum polycephalum<\/em> \u00e9 frequentemente designado no texto como \u00abo nosso amigo\u00bb \u2014 o autor espera que o leitor, depois desta leitura, tamb\u00e9m venha a am\u00e1-lo e a respeit\u00e1-lo. \u00c0 primeira vista, parece ser apenas uma subst\u00e2ncia viscosa amarela, mas acaba por revelar-se um ser multifacetado espetacular: \u00e9 muito mais do que apenas muco.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte da metamorfose atinge o seu ponto alto quando entra em a\u00e7\u00e3o o \u00abPlano G\u00bb \u2014 como \u00abbolor limoso <em>gelatinoso<\/em>\u00bb, [<em>Gitterschleimpilz<\/em>, o seu nome alem\u00e3o]. Como vimos, ele n\u00e3o \u00e9 nem um fungo, nem uma bact\u00e9ria, nem uma planta, nem um animal, mas sim um dos numerosos protozo\u00e1rios que t\u00eam de contentar-se com a nomenclatura hist\u00f3rica dos bons velhos tempos, em que ainda n\u00e3o se sabia melhor. Hoje \u00e9 classificado, dentro do supergrupo Amoebozoa (ameb\u00f3ides), no subgrupo dos Myxogastria (ou mixomicetos, os verdadeiros bolores limosos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 \u00e9 conhecido h\u00e1 muito tempo na sua chamativa \u00abforma limosa\u00bb: uma massa gelatinosa de amarelo-vivo, que a linguagem popular designa por \u00abexcremento de drag\u00e3o\u00bb. Um bolor limoso, ou mixomiceto, \u00e9 um ser que parece ter vindo de outro planeta, uma exist\u00eancia oscilante entre os grandes reinos da vida e um caso fora-da-s\u00e9rie da sistem\u00e1tica. Ele destaca-se entre todas as outras criaturas: enquanto que todos os outros grandes organismos s\u00e3o constitu\u00eddos por muitas c\u00e9lulas individuais, ele \u00e9 apenas uma c\u00e9lula. Em compara\u00e7\u00e3o com o seu modo de vida anterior, assume agora dimens\u00f5es gigantescas e cobre frequentemente troncos de \u00e1rvores inteiros. Quando, em 1987, um grupo de trabalho composto por investigadores de renome na \u00e1rea dos mixomicetos da Universidade de Bona se despediu do seu chefe, o reputado bi\u00f3logo celular Karl Ernst Wohlfahrt-Bottermann, por ocasi\u00e3o da sua reforma, cultivaram em sua honra um exemplar de <em>Physarum<\/em> com 5,54 metros quadrados, em forma de W, como \u00abWohlfahrt\u00bb. Com esta brincadeira, criaram, segundo os editores do <em>Guinness Book of Records<\/em>, a maior c\u00e9lula do mundo (em termos de \u00e1rea).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"943\" height=\"789\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6066\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck.jpg 943w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck-300x251.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck-768x643.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S264-Drachendreck-600x502.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 943px) 100vw, 943px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda mais surpreendente do que o seu enorme crescimento \u00e9 a sua incr\u00edvel flexibilidade. Pode ser completamente despeda\u00e7ado \u2014 desde que ainda existam n\u00facleos celulares nos fragmentos individuais, eles continuar\u00e3o a crescer e, em contacto com os vizinhos, voltar\u00e3o a fundir-se. Mesmo duas c\u00e9lulas gigantes \u00abestranhas\u00bb, ao encontrarem-se, unem-se imediatamente, sem antes se conhecerem melhor. Desta forma, \u00e9 frequente que diferentes varia\u00e7\u00f5es gen\u00f3micas coexistem frequentemente na mesma c\u00e9lula, complementando-se e competindo pacificamente entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o nosso amigo atue com muita prud\u00eancia, evite a luz e o calor e, em caso de secura, se refugie em fendas e cavidades, ou at\u00e9 para debaixo da terra, acontece por vezes que o seu local se seque completamente. Nesse caso, entra em vigor o \u00abPlano H\u00bb \u2014 como em ingl\u00eas \u00abhard\u00bb [duro; rijo], em grego <em>skleros<\/em>. Ele espreme o l\u00edquido para fora de si e transforma-se numa forma permanente amarelo-p\u00e1lida, esponjosa, seca como um osso e dura como pedra, chamada escler\u00f3cio. Tal como os esporos e os cistos, com os quais j\u00e1 nos depar\u00e1mos, consegue resistir neste estado durante muito tempo \u00e0s circunst\u00e2ncias mais adversas, para um dia voltar a despertar para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele alcan\u00e7a o seu objetivo biol\u00f3gico mais elevado numa boa situa\u00e7\u00e3o de nutri\u00e7\u00e3o e crescimento, quando consegue p\u00f4r em pr\u00e1tica o \u00abPlano I\u00bb \u2014 como \u00ab<em>ideal<\/em>\u00bb. Nessa altura, forma na sua superf\u00edcie numerosos corpos frut\u00edferos esf\u00e9ricos, que se erguem sobre longas hastes. No interior destas esferas, os n\u00facleos celulares realizam agora uma \u00abdivis\u00e3o de matura\u00e7\u00e3o\u00bb, a meiose, na qual o seu conjunto de cromossomas volta a reduzir-se para metade. Cada uma das metades \u00e9 embalada e apertada em pequenas esferas juntamente com as provis\u00f5es mais necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1585\" height=\"821\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6067\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium.jpg 1585w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium-300x155.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium-1024x530.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium-768x398.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium-1536x796.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S265-Sporangium-600x311.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1585px) 100vw, 1585px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de pouco tempo, forma-se assim um espor\u00e2ngio, um recet\u00e1culo de esporos castanho-escuro, que cont\u00e9m milhares de pequenos esporos secos e haploides, transportados pelo vento. Se mais tarde pousarem num ambiente h\u00famido, executam o \u00abPlano J\u00bb \u2014 \u00ab<em>j\u00e1<\/em> tudo recome\u00e7a\u00bb \u2014 libertando uma pequena ameba nua; e o ciclo fecha-se com o regresso ao \u00abPlano A\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"789\" height=\"772\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-lebens-kunstler.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6068\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-lebens-kunstler.jpg 789w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-lebens-kunstler-300x294.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-lebens-kunstler-768x751.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-lebens-kunstler-600x587.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 789px) 100vw, 789px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A vis\u00e3o geral mostra o ciclo de vida do Pepe com as suas m\u00faltiplas op\u00e7\u00f5es, assinaladas de acordo com as letras A-J utilizadas no texto. No c\u00edrculo interior encontram-se as op\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, isto \u00e9, secar at\u00e9 se transformar num esporo ou num escler\u00f3cio. A divis\u00e3o por cores distingue as fases da vida com um conjunto simples de cromossomas (haploide) e com um conjunto duplo de cromossomas (dipl\u00f3ide).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas voltemos \u00e0 sua forma tang\u00edvel e visualmente presente: um bolor limoso reticulado maduro e completamente desenvolvido parece, em imagens aceleradas, um ca\u00e7ador astuto que, por exemplo, se lan\u00e7a sobre cogumelos adultos, derruba-os, envolve-os por todos os lados e faz com que desapare\u00e7am completamente no seu corpo vibrante. Quando ele se lan\u00e7a sobre madeira em decomposi\u00e7\u00e3o, avan\u00e7a tateando e desenvolve uma estrat\u00e9gia eficiente para explorar essa fonte de alimento. Tal como na minera\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea, em que um n\u00edvel \u00e9 explorado atrav\u00e9s da perfura\u00e7\u00e3o de uma rede de t\u00faneis na camada do carv\u00e3o e depois se removem sistematicamente os espa\u00e7os entre elas, \u00abfio a fio\u00bb, o nosso amigo espalha-se numa estrutura tubular em forma de rede, para depois cobrir e \u00abexplorar\u00bb primeiro os espa\u00e7os interm\u00e9dios mais promissores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, ele tem um cuidado surpreendente com a sa\u00fade e procura manter uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada. No seu caso, a alimenta\u00e7\u00e3o ideal cont\u00e9m 2\/3 de hidratos de carbono e 1\/3 de prote\u00ednas. A francesa Audrey Dussutour, que h\u00e1 muitos anos se apaixonou pelo <em>P. polycephalum<\/em>, colocava-o repetidamente no centro de um c\u00edrculo formado por 11 por\u00e7\u00f5es de alimentos diferentes, representativos da fauna, da flora e da gastronomia francesas. Assim que ele \u00absaboreava\u00bb os vest\u00edgios do bufete diversificado no gel de \u00e1gar do seu substrato, dirigia-se com precis\u00e3o, em primeiro lugar, \u00e0 por\u00e7\u00e3o que mais se aproximava do seu ideal nutricional. Descobriu-se que os flocos de aveia s\u00e3o o alimento perfeito para Pepe e que, em princ\u00edpio, ele n\u00e3o precisa de mais nada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"814\" height=\"820\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6069\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker.jpg 814w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker-298x300.jpg 298w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker-150x150.jpg 150w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker-768x774.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker-600x604.jpg 600w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-fein-schmecker-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 814px) 100vw, 814px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pepe, colocado no centro desta placa de Petri, lan\u00e7a-se certeiramente sobre a por\u00e7\u00e3o de alimento com a propor\u00e7\u00e3o 2:1 de hidratos de carbono\/prote\u00ednas. As outras dez op\u00e7\u00f5es, por enquanto, n\u00e3o lhe interessam (segundo Dussutour).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a conce\u00e7\u00e3o moderna, o potencial cognitivo que designamos por \u00abintelig\u00eancia\u00bb surge da intera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas altamente especializadas, interligadas em \u00abredes neuronais\u00bb. Na massa homog\u00e9nea do plasm\u00f3dio de <em>Physarum<\/em> n\u00e3o h\u00e1 nervos nem rede de conex\u00f5es. Apesar disso, ele \u00e9 capaz de se deslocar de forma coordenada como um todo e de fluir para um alvo a uma velocidade de cerca de um cent\u00edmetro por hora. Ao faz\u00ea-lo, deixa atr\u00e1s de si um rasto delicado de glicoprote\u00ednas espec\u00edficas. Quando encontra o seu pr\u00f3prio rasto, sabe que j\u00e1 esteve ali. Desta forma, consegue explorar um novo ambiente seguindo um padr\u00e3o de locomo\u00e7\u00e3o ideal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ser\u00e1 que se pode realmente afirmar que o <em>Physarum<\/em> \u00e9 inteligente? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil responder a esta quest\u00e3o, porque a intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma grandeza definida de forma universalmente v\u00e1lida. Habitualmente, \u00e9 determinada por diversos testes, que, na maioria dos casos, est\u00e3o relacionados com a resolu\u00e7\u00e3o de problemas \u2014 e \u00e9 precisamente essa a sua especialidade, na qual ele obt\u00e9m mais pontos do que os \u00abanimais mais desenvolvidos\u00bb!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os testes com labirintos s\u00e3o um instrumento cl\u00e1ssico da investiga\u00e7\u00e3o comportamental. Em 2000, os investigadores japoneses descobriram que o nosso amigo encontra com absoluta seguran\u00e7a o caminho mais curto quando \u00e9 atra\u00eddo com flocos de aveia, que adora comer. Para percorrer uma dist\u00e2ncia de 14 cm num labirinto com 25 cent\u00edmetros quadrados, precisa de quatro horas para encontrar a solu\u00e7\u00e3o correta. \u00c0 primeira vista, isto parece bastante demorado. Contudo, se tivermos em conta a sua velocidade m\u00e1xima de locomo\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho do labirinto, ele resolve a tarefa claramente mais depressa do que, por exemplo, um rato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1194\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6131\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-scaled.jpg 1194w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-140x300.jpg 140w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-478x1024.jpg 478w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-768x1646.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-717x1536.jpg 717w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-S267-Labyrinth-PT-600x1286.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1194px) 100vw, 1194px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tipo de ensaio designado por \u00abexperi\u00eancia do desvio\u00bb parece muito mais f\u00e1cil de resolver do que um labirinto confuso. Uma disposi\u00e7\u00e3o experimental t\u00edpica para o <em>Physarum<\/em> consiste em coloc\u00e1-lo na curvatura de uma barreira em forma de U, enquanto que a sua comida preferida se encontra do outro lado, mesmo \u00ab\u00e0 frente do seu nariz\u00bb. Ele consegue perceb\u00ea-la, mas n\u00e3o a consegue alcan\u00e7ar diretamente. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9, naturalmente: primeiro sair pela abertura do \u00abU\u00bb, depois dar a volta por fora e chegar ao \u00abpetisco\u00bb. O ponto crucial \u00e9 que, para isso, ele tem primeiro de se afastar do est\u00edmulo sedutor, a fim de chegar l\u00e1 por um desvio. \u00c9, na verdade, inacredit\u00e1vel que um organismo escolha esta estrat\u00e9gia sem \u00abdiscernimento\u00bb e sem \u00abcapacidade de representa\u00e7\u00e3o espacial\u00bb. No entanto, enquanto, por exemplo, que os nossos familiares de quatro patas ficam rapidamente sobrecarregados por tarefas deste tipo, a rosnar frustrados e a saltar contra a rede met\u00e1lica, o nosso amigo viscoso n\u00e3o tem aqui o menor problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele revela-se um verdadeiro \u00abg\u00e9nio do c\u00e1lculo\u00bb na resolu\u00e7\u00e3o de um tipo de problema que, em matem\u00e1tica, \u00e9 conhecido como o \u00abproblema do vendedor-viajante\u00bb ou <em>Travelling Salesman Problem<\/em>, TSP. Trata-se de ligar diferentes pontos pelo percurso mais curto poss\u00edvel, precisamente como um vendedor itinerante, que tem de visitar v\u00e1rias cidades e quer descobrir a rota ideal. Embora se trate de um c\u00e1lculo matematicamente muito exigente, que requer um enorme esfor\u00e7o computacional, h\u00e1 materiais que conseguem resolv\u00ea-lo na sua forma mais simples sem que, por isso, os consideremos inteligentes. Por exemplo, basta prender o mapa a uma t\u00e1bua de madeira, cravar um prego em cada cidade de destino e mergulhar tudo, virado ao contr\u00e1rio, numa bacia com \u00e1gua de sab\u00e3o. Se o procedimento for realizado com destreza, ao retirar a t\u00e1bua, os pregos estar\u00e3o ligados por uma pel\u00edcula de bolhas de sab\u00e3o, que representa a solu\u00e7\u00e3o perfeita. Aqui estamos perante um processo explic\u00e1vel em termos f\u00edsico-qu\u00edmicos, resultante das propriedades de uma bolha de sab\u00e3o. Contudo, isto tem pouco em comum com o modo como o nosso amigo resolve este tipo de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O especialista japon\u00eas em <em>Physarum<\/em>, Toshiyuki Nakagaki, fez com que, em 2010, ele ligasse esta\u00e7\u00f5es da rede ferrovi\u00e1ria da \u00e1rea metropolitana de T\u00f3quio, uma regi\u00e3o urbana onde vivem 38 milh\u00f5es de pessoas. As esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o representadas por montes de flocos de aveia \u2014 quanto maior o fluxo de passageiros, mais h\u00e1 para recolher. Al\u00e9m disso, por baixo da placa de pl\u00e1stico sobre a qual ele se deveria espalhar, foi colocada um \u00abmapa luminoso\u00bb. As \u00e1reas de f\u00e1cil passagem apareciam escurecidas; enquanto que as montanhas, desfiladeiros, rios, superf\u00edcies de \u00e1gua aberta e outros obst\u00e1culos, em contraste, brilhavam mais intensamente &#8211; quanto mais dif\u00edcil era o desenvolvimento do ponto de vista dos transportes, mais iluminado se encontrava.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1826\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6132\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-scaled.jpg 2560w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-300x214.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-1024x730.jpg 1024w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-768x548.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-1536x1096.jpg 1536w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-2048x1461.jpg 2048w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-netz-werker-PT-600x428.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A proposta de solu\u00e7\u00e3o para a liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de T\u00f3quio, que Pepe otimizou em 26 horas, \u00e9 superior \u00e0 rede atualmente existente em v\u00e1rios aspetos. O \u00abmapa luminoso\u00bb subjacente faz com que as zonas brancas brilhantes, mar e montanhas, sejam evitadas (segundo Tero et al.).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado superou todas as expectativas. Embora n\u00e3o coincidisse com a rede ferrovi\u00e1ria realmente existente, e otimizada do ponto de vista da engenharia, revelou-se igual ou superior a esta em todas as categorias de avalia\u00e7\u00e3o. Particularmente engenhosas s\u00e3o as suas \u00absolu\u00e7\u00f5es de desvio\u00bb para as partes de maior congestionamento. Hoje, infelizmente, \u00e9 demasiado tarde para as p\u00f4r em pr\u00e1tica; a regi\u00e3o j\u00e1 se encontra densamente urbanizada. Mas, se h\u00e1 cinquenta anos se tivesse perguntado a opini\u00e3o ao nosso amigo, teria sido realmente poss\u00edvel fazer um melhor planeamento de transportes. Resta mencionar que as empresas de transporte de T\u00f3quio encontraram uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, que parece um pouco menos elegante: os funcion\u00e1rios ferrovi\u00e1rios, conhecidos como \u00abOshiya\u00bb (= empurradores), empurram e comprimem os passageiros de fora para dentro das carruagens sobrelotadas, para que as portas se fechem e os tempos de entrada e sa\u00edda se mantenham os mais curtos poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-nach-macher.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"747\" height=\"721\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-nach-macher.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6072\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-nach-macher.jpg 747w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-nach-macher-300x290.jpg 300w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-nach-macher-600x579.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Na pr\u00e1tica, \u00e9 muito mais simples manusear um computador do que uma cultura de <em>Physarum<\/em>. Ao analisar a estrat\u00e9gia de resolu\u00e7\u00e3o de Pepe e extrair os algoritmos subjacentes, foi poss\u00edvel fazer a transi\u00e7\u00e3o de \u00abin vivo\u00bb para \u00abin silicio\u00bb. Como os par\u00e2metros no programa puderam ser ajustados com maior precis\u00e3o, o resultado final conseguiu ser melhorado. Neste caso, um supercomputador aperfei\u00e7oou a rede de metro de T\u00f3quio atrav\u00e9s de quase 30.000 rec\u00e1lculos complexos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois desta experi\u00eancia encorajadora, milhares de problemas semelhantes foram resolvidos de forma perfeita pela rede limosa amarela. Quer se trate de redes rodovi\u00e1rias ou ferrovi\u00e1rias, passagens de cabos, placas de circuito impresso ou sistemas de tubagens, os engenheiros est\u00e3o apenas a come\u00e7ar a descobrir o potencial da \u00abotimiza\u00e7\u00e3o pelo limo\u00bb. A compet\u00eancia central do <em>Physarum<\/em> \u00e9 a \u00abotimiza\u00e7\u00e3o multidimensional\u00bb. Ele recebe o seu <em>input<\/em> atrav\u00e9s da luz, do frio, do calor, da secura, do sal e da vibra\u00e7\u00e3o, que ele evita, e dos flocos de aveia, da escurid\u00e3o, da temperatura ambiente, da humidade e da tranquilidade, que aprecia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma s\u00e9rie de outras tenta\u00e7\u00f5es (atra\u00e7\u00f5es) e dissuas\u00f5es (repelentes), que est\u00e3o apenas a come\u00e7ar a ser investigadas. Assim que a influ\u00eancia destes fatores for determinada experimentalmente, podem ser usados para influenciar o resultado. A c\u00e9lula gigante torna-se um \u00abcomputador molecular\u00bb. Em vez de impulsos de eletr\u00f5es que interagem em semicondutores, encontra-se aqui uma mistura cuidadosamente ajustada de milhares de milh\u00f5es de mol\u00e9culas sinalizadoras, que se difundem pelo interior da c\u00e9lula em gradientes espacialmente estruturados, que fornece um resultado computacional de alta resolu\u00e7\u00e3o. No entanto, a coordena\u00e7\u00e3o do processo continua a ser um grande enigma, pois, como o nome espec\u00edfico <em>polycephalum<\/em> \u2014 \u00abo de muitas cabe\u00e7as\u00bb \u2014 j\u00e1 sugere, n\u00e3o existe nele nenhum centro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Particularmente emocionantes s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es em que se mostra que as suas rea\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o \u00abrigidamente programadas\u00bb, mas revelam uma certa flexibilidade. Se o pioneiro explorador for colocado no centro de uma placa de Petri e rodeado por um anel de sal, o seguinte acontece: prolongamentos espalham-se em todas as dire\u00e7\u00f5es e encontram o sal por todo o lado, sobre o qual ele passa muito contrariadamente, pois perde muito l\u00edquido nesse processo. Ele \u00abreconhece\u00bb que est\u00e1 bloqueado e retira-se por um momento novamente para o centro, como se tivesse de reconsiderar a sua situa\u00e7\u00e3o. Se a avers\u00e3o ao sal estivesse \u00abprogramada\u00bb como regra absoluta, teria agora de morrer de fome ou pelo menos ativar o \u00abPlano H\u00bb. Contudo, na realidade parece que, a certa altura, ele \u00abganha coragem\u00bb e, num ato de aud\u00e1cia quase suicida, flui sobre a barreira \u00e0 m\u00e1xima velocidade, t\u00e3o estreito quanto poss\u00edvel. O que acontece aqui? Como e onde \u00e9 tomada esta decis\u00e3o? Estas perguntas permanecem em aberto at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que verdadeiramente \u00abfaz transbordar o copo\u00bb \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que o nosso amigo tem, muito evidentemente, uma no\u00e7\u00e3o do tempo. Numa experi\u00eancia not\u00e1vel, foi-lhe fornecido alimento continuamente durante uma hora. Depois, o fornecimento de alimento foi interrompido durante 5 minutos; passada mais uma hora, voltou a ser interrompido durante 5 minutos. Ao fim da terceira hora, ele j\u00e1 tinha aprendido que, nesses 5 minutos correspondentes, n\u00e3o havia alimento a obter e nem sequer se estendia nessa dire\u00e7\u00e3o. Mesmo quando, depois da quarta hora, o alimento voltou a ser oferecido de forma cont\u00ednua, ele manteve-se retra\u00eddo nesses 5 minutos \u2014 ofendido? S\u00f3 depois de mais duas horas a \u00abmem\u00f3ria\u00bb se desvaneceu, e ele voltou a alimentar-se continuamente. A experi\u00eancia tamb\u00e9m foi realizada com est\u00edmulos negativos, ligando-se uma corrente de ar segundo um determinado esquema temporal. Pepe n\u00e3o gosta nada de correntes de ar. Ele memoriza quando o secador est\u00e1 ligado e, antes disso, j\u00e1 renuncia a estender-se em dire\u00e7\u00e3o aos flocos de aveia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto levanta naturalmente in\u00fameras perguntas: como \u00e9 que ele sabe quando passaram 60 minutos? Onde est\u00e1 o rel\u00f3gio a dar horas? Como \u00e9 que uma \u00fanica c\u00e9lula se \u00abrecorda\u00bb? Em todas as experi\u00eancias nas quais o <em>Physarum<\/em> aprende alguma coisa, conseguiu ainda demonstrar que a nova informa\u00e7\u00e3o adquirida \u00e9 transferida para o complexo total quando duas c\u00e9lulas se unem. Por isso, o organismo pode, conforme a necessidade, separar pequenos sat\u00e9lites m\u00f3veis e envi\u00e1-los numa viagem de reconhecimento. Ao regressarem, estes exploradores fundem-se novamente com a base e transmitem as novas descobertas at\u00e9 aos cantos mais remotos da c\u00e9lula gigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como \u00faltimo destaque, importa ainda mencionar que o nosso amigo \u00e9 o primeiro ser vivo a ser enobrecido pelo facto de o seu \u00abpoder de c\u00e1lculo\u00bb ser integrado diretamente em constru\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Nos laborat\u00f3rios de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade de K\u014dbe, no Jap\u00e3o, e de Southampton, na Gr\u00e3-Bretanha, ele dirige rob\u00f4s que se deslocam sobre rodas e rob\u00f4s rastejantes. Para isso, deixa-se que cres\u00e7a sobre uma placa de circuito impresso, que mede as suas rea\u00e7\u00f5es a est\u00edmulos ambientais, como altera\u00e7\u00f5es da resist\u00eancia el\u00e9trica, e calcula a partir da\u00ed os comandos de controlo. Embora, enquanto macro-organismo, d\u00ea uma impress\u00e3o algo pesada, como m\u00e1quina de c\u00e1lculo molecular trabalha de forma impressionante e fornece sinais em tempo real com menos atraso do que um microprocessador conseguiria sem a sua ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tais sistemas de controlo bioeletr\u00f3nicos j\u00e1 s\u00e3o considerados candidatos promissores para a tecnologia espacial. Al\u00e9m da sua enorme capacidade de processamento de dados, qualificam-se por algumas outras propriedades: n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o capazes de se autocontrolar, como tamb\u00e9m podem autorreparar-se e reconfigurar-se conforme a necessidade. Al\u00e9m disso, parece poss\u00edvel instalar, no espa\u00e7o mais pequeno, ciclos fechados de materiais com utiliza\u00e7\u00e3o altamente eficaz da energia solar e reciclagem de materiais quase a cem por cento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><a href=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1658\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6133\" srcset=\"https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-scaled.jpg 1658w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-194x300.jpg 194w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-663x1024.jpg 663w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-768x1185.jpg 768w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-995x1536.jpg 995w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-1327x2048.jpg 1327w, https:\/\/parquediscovery.pt\/wp-content\/uploads\/HP-pe-pilot-PT-600x926.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1658px) 100vw, 1658px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Assim, d\u00e1-se a apresenta\u00e7\u00e3o do \u00abbiochip\u00bb, no qual Pepe assume o controlo. Ele encontra-se assente sobre uma fina camada de gel (\u00e1gar, azul-claro) que reveste a placa de circuito impresso (verde), rodeado por um c\u00edrculo de el\u00e9trodos revestidos a ouro. O conjunto est\u00e1 encerrado numa c\u00e2mara de polimetilsiloxano (PDMS, azul) e coberto, para controlo \u00f3ptico, por uma placa transparente de polimetacrilato (PMMA, cinzenta). Assim, os seus movimentos podem ser analisados (segundo Sun et al.). A constru\u00e7\u00e3o por baixo n\u00e3o \u00e9 um \u00abrob\u00f4\u00bb no sentido pr\u00f3prio, mas um ve\u00edculo controlado por Pepe (segundo Gough et al.).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada especialidade biol\u00f3gica investiga organismos-modelo t\u00edpicos: os bacteriologistas cultivam <em>E. coli<\/em>, os bi\u00f3logos celulares levedura de panifica\u00e7\u00e3o, os geneticistas manipulam moscas-da-fruta e ratos, os bi\u00f3logos do desenvolvimento investigam o verme nem\u00e1todo, os embriologistas estudam o desenvolvimento de r\u00e3s-de-unhas-africana, galinhas e peixes-zebra, os farmacologistas testam subst\u00e2ncias em ratos e porquinhos-da-\u00edndia, e assim por diante\u2026 \u2014 o <em>Physarum<\/em> est\u00e1 a transformar-se no brinquedo preferido de bi\u00f3logos celulares, bioinform\u00e1ticos, engenheiros de redes, investigadores do comportamento e da cogni\u00e7\u00e3o, que frequentemente colhem um pesaroso abanar de cabe\u00e7a quando confessam o seu objeto de investiga\u00e7\u00e3o: \u00abbolor limoso\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito ao p\u00fablico, at\u00e9 agora ele leva uma vida discreta. Mas \u00e9, provavelmente, apenas uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que Hollywood o descobra e o traga para o grande ecr\u00e3 como um ador\u00e1vel animal de estima\u00e7\u00e3o, um superagente com v\u00e1rias cabe\u00e7as ou uma subst\u00e2ncia viscosa mutante monstruosa. Nas bioci\u00eancias, regista-se hoje com espanto que compet\u00eancias excelentes, cuja origem se sup\u00f5e estar num longo processo evolutivo, j\u00e1 se encontram presentes logo no in\u00edcio deste cen\u00e1rio. Quem, por\u00e9m, obteve uma impress\u00e3o da sabedoria infinita de Jesus Cristo, o \u00abPr\u00edncipe da vida\u00bb (At 3:15), n\u00e3o fica de modo algum surpreendido: \u00abmaravilhosas s\u00e3o as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem\u00bb (Sl 139:14).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-small-font-size is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7387b849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"line-height:1\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baumann, K.; Nowotny, W.; Neubert, H.: <em>Die Myxomyceten<\/em> (vol. 2), Gomaringen (Karlheinz Baumann) 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bierens de Haan, J. A.: <em>Labyrinth und Umweg. Ein Kapitel aus der Tierpsychologie<\/em>. Leiden (E. J. Brill) 1937.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dussutour, A.; Latty, T.; Beekman, M.: <em>Amoeboid organism solves complex nutritional challenges<\/em>. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) 2010; 107(10):4607-4611; doi: 10.1073\/pnas.0912198107.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gough, J.; Jones, G.; Lovell, C.: <em>Integration of Cellular Biological Structures into Robotic Systems<\/em>. Acta Futura 2009; 3:43-49; doi: 10.2420\/AF03.2008.36.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hejnowicz, Z.; Wohlfarth-Bottermann, K. E.: <em>Propagated waves induced by gradients of physiological factors within plasmodia of Physarum polycephalum<\/em>. Planta 1980; 150:144-152.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00fclsmann, N.; Radek, R.: <em>Unicelular do Ano 2021: Physarum polycephalum \u2014 o bolor de limo<\/em>. Sociedade Alem\u00e3 de Protozoologia (DGP); folheto: <a href=\"https:\/\/www.protozoologie.de\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/PhysarumFlyerfinaldeutsch.pdf\">https:\/\/www.protozoologie.de\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/PhysarumFlyerfinaldeutsch.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jabr, F.: <em>How Brainless Slime Molds Redefine Intelligence<\/em>. Scientific American 2012. <a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/brainless-slime-molds\">https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/brainless-slime-molds<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nakagaki, T.; Yamada, T.; T\u00f3th, \u00c1.: <em>Intelligence: Maze-solving by an amoeboid organism<\/em>. Nature 2000; 407:470; <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v407\/n6803\/abs\/407470a0.html\">http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v407\/n6803\/abs\/407470a0.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reid, C. R.; Beekman, M.; Latty, T.: <em>Amoeboid organism uses extracellular secretions to make smart foraging decisions<\/em>. Behavioral Ecology 2013; 24(4):812-818; doi: 10.1093\/beheco\/art032.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reid, C. R.: <em>Thoughts from the forest floor: a review of cognition in the slime mould Physarum polycephalum<\/em>. Animal Cognition 2023; 26:1783-1797; doi: 10.1007\/s10071-023-01782-1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revilla, F. D.; Zauner, K. P.; Morgan, H.: <em>Physarum polycephalum on a chip<\/em>. Proceedings of \u03bcTAS 2007; 2:1089-1091.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Richter, W.: <em>Alter Schleimer<\/em>. ZEIT Wissen 01\/2007; <a href=\"http:\/\/www.zeit.de\/zeit-wissen\/2007\/01\/Schleimpilze\">http:\/\/www.zeit.de\/zeit-wissen\/2007\/01\/Schleimpilze<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Russell, B.: <em>Our Knowledge of the External World<\/em> (p. 12). Londres, GB (George Allen &#038; Unwin Ltd.) 2014; cita\u00e7\u00e3o: \u00abA process which led from the amoeba to man appeared to the philosophers to be obviously a progress \u2013 though whether the amoeba would agree with this opinion is not known.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sun, T.; Tsuda, S.; Zauner, K. P.: <em>On-chip impedance tomography for imaging biological cells<\/em>. Biosensors and Bioelectronics 2010; 25:1109-1115; doi: 10.1016\/j.bios.2009.09.036.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tero, A.; Takagi, S.; Nakagaki, T.: <em>Rules for Biologically Inspired Adaptive Network Design<\/em>. Science 2010; 327(5964):439-442; doi: 10.1126\/science.1177894.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tsuda, S.; Zauner, K. P.; Gunji, Y. P.: <em>Robot Control with Biological Cells<\/em>. Proceedings of Sixth International Workshop on Information Processing in Cells and Tissues 2005; 202-216; <a href=\"https:\/\/eprints.soton.ac.uk\/263582\/\">https:\/\/eprints.soton.ac.uk\/263582\/<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vogel, D.; Dussutour, A.: <em>Direct transfer of learned behaviour via cell fusion in non-neural organisms<\/em>. Proceedings of Royal Society B 2016; 283:20162382; doi: 10.1098\/rspb.2016.2382.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-small-font-size is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7387b849 wp-block-columns-is-layout-flex\" style=\"line-height:1\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Cr\u00e9ditos de Imagem<\/strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wikipedia: esquema da fagocitose da ameba \/ Miklos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras licen\u00e7as: imagem gerada por IA: gr\u00e1fico de t\u00edtulo para extras com quatro imagens tem\u00e1ticas \/\/ t\u00edtulo <em>Physarum<\/em> \u2014 bolor de limo reticulado sobre um tronco de \u00e1rvore \/ shutterstock_ID_2705798935 \/ Dan Gabriel Atanasie \/\/ ameba ao microsc\u00f3pio \u00f3ptico \/ shutterstock_ID_101601943 \/ Lebendkulturen.de \/\/ fase juvenil de <em>Physarum<\/em> \/ shutterstock_ID_2447570757 \/ PRIYA S. NAIR NATURE \/\/ bolor de limo reticulado sobre almofada de musgo \/ Daniel vom Stein \/\/ espor\u00e2ngio do bolor de limo reticulado \/ shutterstock_ID_2667719865 \/ Lukas Jonaitis.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amarelo-vivo, gelatinoso \u2014 e espantosamente inteligente: um organismo ex\u00f3tico, que n\u00e3o se encaixa em nenhuma categoria e que rebenta com a nossa imagem do unicelular[\u2026]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6058,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"remove_blocks_before_content":false,"remove_blocks_after_content":false,"disable_reading_progress_bar":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[69],"tags":[],"class_list":["post-6057","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-swarming-animals"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6057"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6136,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6057\/revisions\/6136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/parquediscovery.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}